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Congresso promulga nova lei da dosimetria após Lula deixar prazo expirar

Texto reduz impacto das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro e abre caminho para revisão no STF.

Em mais um capítulo da disputa política e institucional que ainda envolve os atos de 8 de Janeiro, o Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (8) a nova lei da dosimetria de penas para condenados pela invasão das sedes dos Três Poderes. A decisão ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optar por não assinar a promulgação dentro do prazo constitucional, deixando a responsabilidade para o Legislativo.

A nova legislação foi promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e será publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

Lula deixou prazo constitucional vencer

A promulgação ocorreu após o Congresso derrubar, na semana passada, o veto presidencial ao projeto de lei.

O Palácio do Planalto foi oficialmente comunicado da decisão na segunda-feira (4). Pela Constituição, o presidente da República tinha prazo de 48 horas para promulgar o texto após a rejeição do veto.

Como Lula decidiu não fazer a assinatura, a atribuição voltou ao Congresso Nacional.

“Compete ao presidente do Senado Federal promulgar a lei quando o presidente da República não o faz no prazo constitucional de 48 horas”, informou a assessoria do Senado.

Com a publicação oficial, a nova norma passa a integrar o ordenamento jurídico brasileiro.

Projeto altera cálculo das penas do 8 de Janeiro

A proposta cria novos critérios de dosimetria para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto foram invadidas em Brasília.

Na prática, a mudança pode reduzir o impacto das penas aplicadas em parte das condenações relacionadas aos atos.

Com a entrada em vigor da nova legislação, advogados dos condenados poderão recorrer ao STF pedindo revisão das sentenças já determinadas pela Corte.

Governo evitou associação direta à nova lei

Nos bastidores, integrantes do governo já sinalizavam que o Planalto evitaria deixar sua marca na promulgação do projeto.

A avaliação interna era de que a assinatura presidencial poderia gerar desgaste político ao governo, especialmente entre setores que defendem punições mais rígidas aos envolvidos nos ataques às instituições.

Lula havia vetado o projeto originalmente em 8 de janeiro deste ano, justamente na data que marcou os três anos dos atos considerados golpistas.

Mesmo assim, o Congresso derrubou o veto e garantiu a aprovação definitiva do texto.

Tema segue dividindo o país e pressionando instituições

A nova lei reacende um dos debates mais sensíveis da política brasileira recente: os limites das punições aplicadas aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro. Enquanto parte da sociedade defende penas exemplares em defesa da democracia, outra cobra proporcionalidade nas condenações. A promulgação do texto mostra que, mais de três anos depois, os desdobramentos daquele domingo ainda continuam moldando disputas políticas, decisões judiciais e o próprio ambiente institucional do país.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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