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“Pagamento de 500 mil ou 300 mil?”: PF aponta suposta ‘mesada’ ligada a Ciro Nogueira em nova fase da Compliance Zero

Mensagens encontradas pela Polícia Federal citam repasses mensais atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e colocam o senador no centro de uma investigação que avança no STF.

Em meio a mais uma ofensiva da Polícia Federal contra um esquema que pode envolver influência política, movimentações financeiras e supostas vantagens indevidas, o nome do senador Ciro Nogueira voltou ao centro de uma investigação delicada que já provoca forte repercussão em Brasília. Conversas extraídas pela PF revelam diálogos sobre pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, valores atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e direcionados, segundo os investigadores, a uma estrutura ligada ao parlamentar.

A apuração faz parte da quinta fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7), e autorizada pelo ministro André Mendonça. Além de buscas e apreensões, a investigação atingiu pessoas próximas ao senador, incluindo seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, apontado pela PF como peça operacional da estrutura empresarial investigada.

Mensagens citam pagamentos mensais

De acordo com o relatório da Polícia Federal, as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, tratavam diretamente da continuidade de pagamentos ligados à chamada “parceria BRGD/CNLF”. A BRGD S.A., vinculada à família Vorcaro, seria a origem dos recursos, enquanto a CNLF Empreendimentos Imobiliários, associada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira, teria recebido os valores.

Em uma das conversas registradas pela PF, Felipe questiona Daniel sobre a continuidade dos repasses de R$ 300 mil mensais. Em outra troca de mensagens, já em junho de 2025, o valor mencionado sobe para R$ 500 mil.

Segundo os investigadores, Daniel teria demonstrado preocupação com atrasos nos pagamentos ao perguntar ao primo: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”. Na sequência, Felipe responde: “Vou ver se dou um jeito aqui. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”.

A Polícia Federal interpreta as conversas como indícios de pagamentos recorrentes ligados ao senador.

Operação teve buscas na casa do senador

Durante a operação desta quinta-feira, agentes da PF cumpriram mandados na residência de Ciro Nogueira. Segundo o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foram apreendidos um celular, um tablet e documentos.

A defesa classificou a medida como “invasiva”, embora tenha afirmado que a ação ocorreu de forma tranquila e sem qualquer resistência.

Além das buscas, o senador foi proibido de manter contato com outros investigados. Já Raimundo Nogueira deverá usar tornozeleira eletrônica, está impedido de deixar sua comarca e teve suspensas atividades de natureza econômica e financeira.

PF aponta possível troca de favores

A investigação também aponta que Ciro Nogueira teria recebido “vantagens indevidas” relacionadas ao antigo Banco Master. Segundo relatório enviado ao STF, o senador teria apresentado uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Para os investigadores, integrantes ligados ao banco teriam participado da elaboração da proposta, o que levanta suspeitas sobre eventual benefício direto ao grupo financeiro.

A PF sustenta que Raimundo Nogueira atuava como responsável formal e operacional da estrutura empresarial associada ao núcleo familiar do senador.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou repudiar qualquer “ilação de ilicitude” envolvendo a atuação parlamentar do senador. Os advogados dizem que ele não participou de atividades ilegais e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A defesa também argumenta que medidas consideradas graves e invasivas não poderiam ser sustentadas apenas por trocas de mensagens entre terceiros, defendendo que a legalidade dos atos deverá ser debatida nas Cortes Superiores.

Enquanto a investigação avança e novos detalhes surgem nos bastidores do poder, o caso amplia a sensação de desgaste sobre a relação entre política, influência econômica e interesses privados no país. Em um cenário já marcado pela desconfiança da população, cada nova revelação reforça o quanto a transparência e a responsabilidade pública continuam sendo exigências urgentes da sociedade brasileira.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CBN – Globo

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