Presidente pretende usar novo marco legal aprovado na Câmara como instrumento estratégico diante do interesse dos Estados Unidos em minerais críticos brasileiros.
Em um momento em que o mundo disputa silenciosamente o controle de recursos considerados essenciais para o futuro da tecnologia e da economia global, o Brasil começa a se mover para proteger uma de suas maiores riquezas estratégicas. Na noite de quarta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente da Câmara, Hugo Motta, para agradecer a aprovação do projeto que cria novas regras para exploração e industrialização de minerais críticos e terras raras no país.
A conversa aconteceu às vésperas do encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. Segundo interlocutores do governo, o presidente brasileiro pretende utilizar o texto aprovado pela Câmara como referência central nas negociações com os americanos.
Projeto é visto como escudo estratégico
Nos bastidores do Planalto, a avaliação é de que o novo marco legal pode funcionar como uma espécie de blindagem diante do crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de minerais críticos.
O projeto aprovado cria mecanismos de acompanhamento estatal e incentiva o beneficiamento e a industrialização desses materiais dentro do Brasil, reduzindo a dependência da simples exportação da matéria-prima bruta.
A proposta também busca estimular a geração de empregos e agregar valor à cadeia produtiva nacional, em um momento em que minerais estratégicos se tornaram peças fundamentais para setores ligados à tecnologia, inteligência artificial, transição energética e indústria militar.
Apesar disso, o texto não prevê, ao menos neste primeiro momento, aumento de tributação sobre a exportação dos metais.
Lula elogiou relator e quer rapidez no Senado
Durante a conversa com Hugo Motta, Lula também elogiou o trabalho do deputado Arnaldo Jardim, relator da proposta na Câmara.
O presidente demonstrou expectativa de que o Senado Federal acelere a tramitação do projeto, considerado estratégico pelo governo brasileiro diante da crescente pressão internacional envolvendo o setor mineral.
A diplomacia brasileira acredita que o tema das terras raras será um dos assuntos centrais da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca.
Disputa global por minerais aumenta pressão sobre o Brasil
As chamadas terras raras e os minerais críticos se tornaram alvo de disputa entre grandes potências por serem essenciais para a fabricação de baterias, semicondutores, carros elétricos, sistemas militares, equipamentos eletrônicos e tecnologias avançadas.
O Brasil possui algumas das maiores reservas desses minerais no mundo, o que elevou o interesse internacional sobre o país nos últimos anos.
Recentemente, a mineradora americana USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, movimento que ampliou ainda mais o debate sobre soberania, exploração mineral e proteção de recursos estratégicos nacionais.
Mais do que minério, uma disputa por futuro
O avanço do projeto das terras raras revela que o debate já não gira apenas em torno da mineração, mas do papel que o Brasil deseja ocupar no cenário global nas próximas décadas. Em um mundo movido por tecnologia e energia, controlar recursos estratégicos significa também disputar influência, desenvolvimento e poder econômico. E, diante dessa nova corrida internacional, o país tenta equilibrar interesses externos sem abrir mão das riquezas que podem definir seu próprio futuro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Brasil 247













