Após derrotas no Congresso e rejeição histórica de Jorge Messias ao STF, reunião com presidente dos EUA é vista por aliados como tentativa de recuperação da imagem do governo.
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi interpretado por aliados do Planalto como um respiro político em meio a uma das semanas mais turbulentas do atual governo. Após sucessivas derrotas no Congresso Nacional, a reunião na Casa Branca passou a ser tratada nos bastidores como uma oportunidade de reconstruir a narrativa de força e articulação internacional de Lula.
A avaliação foi feita pelo analista político da CNN Teo Cury, que classificou o encontro como uma vitória política e eleitoral para o governo brasileiro.
Segundo ele, a reunião simboliza “um renascer das cinzas” após a crise provocada pela rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Derrotas no Congresso aumentaram pressão sobre o governo
Nos últimos dias, o governo enfrentou uma sequência de reveses políticos em Brasília.
Além da derrota inédita de Messias no Senado, o Planalto também sofreu com a derrubada de veto relacionado ao projeto da dosimetria, em movimento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O cenário fez crescer, entre integrantes da oposição, o discurso de enfraquecimento político do governo.
“Esse combo fez com que muita gente falasse: ‘Olha, o governo acabou, não tem mais escapatória’”, afirmou Teo Cury.
Sem acordos concretos, mas com forte peso simbólico
Apesar de o encontro entre Lula e Trump não ter resultado em assinatura de acordos oficiais ou anúncios concretos, o simbolismo político da reunião foi considerado estratégico pelo governo brasileiro.
Um dos pontos mais destacados foi a publicação feita por Trump nas redes sociais, na qual classificou Lula como um “presidente dinâmico”.
Para aliados do presidente brasileiro, a imagem dos dois líderes juntos e o tom amistoso adotado pelo republicano ajudam a fortalecer a narrativa de que Lula mantém capacidade de diálogo internacional mesmo diante das dificuldades internas.
“A foto foi crucial. Esse bom humor tanto do Trump, essas imagens ilustram essa relação”, avaliou o analista.
Tarifas seguem sem definição entre os dois países
Embora o clima político tenha melhorado, as divergências comerciais entre Brasil e Estados Unidos permanecem sem solução.
Segundo Teo Cury, os dois governos decidiram criar um grupo de trabalho para tentar resolver o impasse envolvendo tarifas comerciais no prazo de 30 dias.
O governo brasileiro sustenta que não existe desequilíbrio na balança comercial capaz de justificar novas medidas tarifárias dos Estados Unidos, posição que diverge da avaliação americana.
Lula tenta reforçar imagem de líder global
Na avaliação do analista, o encontro também atende a uma estratégia eleitoral do presidente brasileiro para as eleições de 2026.
A ideia é reforçar a imagem de Lula como um estadista com trânsito internacional e capacidade de dialogar com líderes de diferentes correntes políticas, desde o presidente francês Emmanuel Macron até Donald Trump.
O comentário de Trump chamando Lula de “dinâmico” também foi visto como simbolicamente relevante, especialmente porque o republicano criticou diversas vezes a idade do ex-presidente americano Joe Biden durante a campanha eleitoral nos EUA.
Para Teo Cury, embora a reunião não resolva os problemas políticos internos do governo, ela oferece um novo fôlego ao Planalto em um momento de desgaste.
“Isso não significa melhora automática na situação doméstica, mas dá uma sobrevida e impulsiona as forças do governo na tentativa de contornar a crise”, concluiu.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/BBC













