Caso é investigado pela Polícia Civil e envolve acusações de coação, ameaças e captação irregular de clientes em processos trabalhistas na capital.
Em meio ao medo, à insegurança e ao desgaste emocional que diz ter enfrentado por meses, um empresário de Porto Velho decidiu tornar público um drama que, segundo ele, ultrapassou os limites do jurídico e entrou na esfera do terror psicológico. Identificado pelas iniciais H. G. B., proprietário de um restaurante de comida japonesa, ele acusa um advogado e um homem que se apresentaria como profissional da área jurídica de integrarem um suposto esquema de extorsão e intimidação relacionado a ações trabalhistas.

O caso já foi registrado na Polícia Civil de Rondônia e está sob investigação. As denúncias também foram encaminhadas a órgãos de controle profissional, enquanto a vítima afirma reunir provas como transferências bancárias, mensagens e registros de abordagens que, segundo ele, sustentam as acusações.

Como teria funcionado o esquema, segundo a denúncia
De acordo com o relato do empresário e informações reunidas pela investigação, a atuação do grupo estaria centrada na abordagem de ex-funcionários de empresas locais, principalmente na saída dos locais de trabalho. Nessas abordagens, seriam feitas promessas de ganhos financeiros em ações trabalhistas, com o argumento de que o processo não traria riscos ao trabalhador.
Segundo as denúncias, a estratégia incentivava antigos empregados a ingressarem com ações mesmo em situações nas quais as verbas rescisórias já teriam sido quitadas, o que teria resultado em múltiplos processos contra o estabelecimento de H. G. B.
Alegações de coação, transferências e ameaças
O ponto mais grave do relato envolve, segundo o empresário, uma escalada de pressão e intimidação. Ele afirma que foi induzido a realizar transferências via PIX que ultrapassariam R$ 25 mil para um dos envolvidos, sob a promessa de acordos que encerrariam os processos. Ainda segundo sua versão, mesmo após os pagamentos, os conflitos não foram solucionados e as cobranças continuaram.
O empresário relata ainda ter recebido mensagens com tom de ameaça e imagens de sua residência fotografada durante a noite. Em um dos episódios descritos, teria sido informado de suposta medida judicial de busca e apreensão do imóvel caso não houvesse acordo imediato.

Com o agravamento da situação, ele afirma ter deixado sua casa por medo da própria segurança e da família. Mesmo após a mudança para um condomínio, diz que ainda teria sido alvo de novas tentativas de intimidação.
Outro episódio mencionado aponta que, durante uma reunião em escritório jurídico, um dos envolvidos teria comparecido armado, o que teria aumentado ainda mais o clima de tensão e coerção relatado pela vítima.
Impacto emocional e investigação policial
O desgaste psicológico, segundo o empresário, resultou em crises de ansiedade, insônia e episódios de pânico. Ele afirma ter vivido em estado constante de medo, especialmente preocupado com a segurança da esposa e dos filhos.
O caso foi registrado na 8ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Velho. A investigação analisa documentos, conversas e comprovantes apresentados pela defesa da vítima. Também foram solicitadas medidas de proteção.
Além da esfera criminal, houve ainda denúncia ético disciplinar apresentada à OAB de Rondônia, que passa a avaliar o caso dentro de seus procedimentos internos.
Novos desdobramentos e investigações paralelas
Informações adicionais incluídas no caso apontam ainda desdobramentos envolvendo um dos citados, identificado como Esequiel Bento Nogueira, que atuaria como Guarda Portuário no Porto Organizado de Porto Velho. As acusações, ainda sob apuração, incluem suposto exercício irregular de atividades jurídicas, captação de clientes e participação recorrente como testemunha em processos nos quais teria atuado na origem das ações.
Também há registros de que o servidor estaria afastado de suas funções desde fevereiro de 2025 sob alegação de licença médica, enquanto teria ocorrido indeferimento de benefício previdenciário junto ao INSS, segundo os apontamentos apresentados.
Além disso, procedimentos administrativos disciplinares são citados no conjunto de apurações, incluindo investigação sobre abandono de posto de serviço em período anterior. Há ainda a menção de que esse episódio teria ocorrido em contexto investigado pela Polícia Civil, relacionado ao furto de carga no Porto de Porto Velho, o que amplia o escopo das apurações em andamento.
Caso segue em investigação
Todas as acusações ainda estão sendo apuradas pelas autoridades competentes, e os envolvidos devem ser ouvidos no decorrer das investigações. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre os fatos narrados, que seguem sob análise da Polícia Civil e dos órgãos responsáveis.
Em um cenário onde o medo, a desconfiança e a busca por justiça se entrelaçam, o caso expõe não apenas uma disputa jurídica, mas também a fragilidade de quem se sente encurralado diante de situações que ultrapassam o campo legal e atingem diretamente a vida pessoal e emocional. A sociedade agora acompanha, atenta, os próximos passos de uma investigação que pode trazer respostas, mas também levantar reflexões profundas sobre limites éticos, responsabilidade profissional e a proteção de quem busca justiça.
Uma minuta em relação à matéria veiculada no site News Rondônia foi divulgada:
Novas informações apontam desdobramentos administrativos e criminais envolvendo o servidor Esequiel Bento Nogueira, que na verdade é Guarda Portuário do Porto Organizado de Porto Velho:
• Exercício Irregular e Captação de Clientes: Embora atue na captação de clientes para o ingresso de ações trabalhistas contra empresas do complexo portuário, há indícios de que o servidor atue irregularmente na função de advogado. Além disso, foi identificado que ele figura frequentemente como testemunha nos mesmos processos em que indicou ou captou os clientes.
• Situação Administrativa e Previdenciária: O servidor encontra-se formalmente afastado de suas funções de Guarda Portuário desde fevereiro de 2025 sob a justificativa de licença médica (atestados). Contudo, o auxílio-doença foi indeferido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
• Processos Disciplinares (PADs): Esequiel responde a diversos Procedimentos Administrativos Disciplinares. Entre as apurações internas, destaca-se a denúncia de abandono de posto de serviço ocorrida em dezembro de 2024.
• Investigação Policial: O referido abandono de posto coincidiu temporalmente com o furto de uma carga de açúcar no cais do Porto de Porto Velho. O caso está sob investigação ativa por parte da Polícia Civil do Estado de Rondônia para apurar eventuais conivências ou negligências funcionais.
Texto: Daniela Castelo Branco- Com informações de News Rondônia
Foto: Divulgação/O Observador












