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Flávio faz ofensiva para recuperar apoio do eleitorado evangélico

Senador aposta em aproximação com pastores e em nomes como Michelle Bolsonaro e Damares Alves para conter queda nas pesquisas entre eleitores religiosos.

A corrida presidencial começa a revelar um desafio importante para Flávio Bolsonaro dentro de um dos segmentos mais associados ao campo bolsonarista. O senador iniciou uma ofensiva para tentar conter a perda de apoio entre os eleitores evangélicos, grupo no qual ainda mantém vantagem, mas que apresentou oscilações negativas nas pesquisas mais recentes.

O movimento ocorre justamente em um momento em que a campanha busca fortalecer a imagem de Flávio e preservar uma base eleitoral considerada estratégica. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (10), o senador passou de 50% para 47% das intenções de voto entre os evangélicos. O levantamento anterior havia mostrado um cenário mais favorável.

Pesquisas acendem sinal de alerta

A tendência também apareceu na pesquisa Genial/Quaest. Em um intervalo de um mês, Flávio oscilou de 53% para 48% entre os eleitores evangélicos. Apesar da queda, o senador continua liderando com vantagem dentro desse segmento religioso.

Os números, no entanto, acenderam um sinal de alerta entre integrantes da campanha, que passaram a trabalhar para recuperar parte desse eleitorado antes que a perda de apoio se consolide.

Aproximação com pastores

Como primeiro movimento da nova estratégia, Flávio participou neste fim de semana de uma cerimônia na Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo. O senador esteve ao lado do ex-deputado federal Eduardo Cunha.

A equipe de campanha também planeja encontros de Flávio com pastores evangélicos do Rio de Janeiro e do Distrito Federal. A intenção é ampliar o diálogo com lideranças religiosas e reconstruir pontes com um segmento que historicamente tem forte peso nas eleições presidenciais.

Michelle e Damares entram na estratégia

Outro ponto considerado importante pela campanha é a participação de mulheres com forte identificação junto ao eleitorado religioso. Flávio avalia que a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pode ajudar a recuperar a confiança principalmente entre as eleitoras evangélicas.

A estratégia busca aproveitar a influência política das duas e reforçar a conexão com um público feminino que possui peso significativo dentro do eleitorado religioso.

Banco Master e disputa interna

Entre aliados do bolsonarismo, existe a avaliação de que dois episódios podem ter contribuído para a oscilação negativa de Flávio: o desgaste relacionado ao escândalo envolvendo o Banco Master e o embate público com Michelle Bolsonaro.

O cenário também expõe divergências dentro do próprio campo evangélico. A disputa presidencial já provoca divisão entre lideranças da Assembleia de Deus, uma das maiores e mais influentes denominações evangélicas do país.

Uma base que segue estratégica

Apesar das oscilações, o eleitorado evangélico permanece como uma das principais frentes de disputa na eleição presidencial. É um grupo numeroso, politicamente mobilizado e capaz de influenciar decisivamente o resultado de uma eleição acirrada.

Por isso, a ofensiva de Flávio não representa apenas uma tentativa de recuperar alguns pontos nas pesquisas. É também uma disputa pela confiança de lideranças religiosas e de milhões de eleitores que, até aqui, formam uma parcela importante de sua sustentação eleitoral. À medida que a campanha avançar, cada movimento nesse segmento poderá revelar se a queda foi apenas uma oscilação momentânea ou o início de uma mudança mais profunda no comportamento desse eleitorado.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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