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Caso Master: adiamento de depoimentos pode empurrar conclusão do inquérito para setembro

Sucessivos pedidos das defesas atrasam oitivas da Polícia Federal e podem fazer investigação sobre as suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master avançar até às vésperas do primeiro turno das eleições.

O calendário da Polícia Federal para concluir uma das principais investigações sobre o escândalo do Banco Master começa a sofrer os efeitos de uma sequência de adiamentos. O depoimento de Daniel Vorcaro, considerado uma das peças importantes para o avanço do inquérito, foi novamente postergado e pode fazer com que a investigação, que inicialmente deveria ser encerrada até o fim de agosto, só seja concluída em setembro.

A mudança de prazo ganha ainda mais peso porque a nova previsão coloca o encerramento do inquérito próximo ao período eleitoral. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, justamente quando a Polícia Federal tradicionalmente precisa concentrar parte significativa de sua estrutura em ocorrências relacionadas ao processo eleitoral.

Defesas pedem mais tempo para preparar depoimentos

O depoimento de Vorcaro estava agendado havia cerca de um mês no calendário da PF e seria realizado por videoconferência. Na véspera da data marcada, porém, a defesa pediu o adiamento sob o argumento de que precisava de mais tempo para preparar o ex-banqueiro.

O novo advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, assumiu a defesa há aproximadamente duas semanas e também justificou a solicitação pela necessidade de estudar de forma adequada todo o conteúdo do processo. A Polícia Federal aceitou o pedido e adiou a oitiva.

O episódio não é isolado. Outros depoimentos importantes também sofreram alterações, comprometendo o cronograma inicialmente estabelecido para a investigação.

Três depoimentos já foram adiados

O empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, também teve seu depoimento adiado. A oitiva estava prevista para o mês anterior, mas até o momento não havia uma nova data definida.

Outro depoimento que sofreu alteração foi o do senador Jaques Wagner (PT-BA). A oitiva estava prevista para a mesma semana em que ocorreria a de Augusto Lima e acabou sendo adiada depois de um pedido da defesa, posteriormente aceito pela Polícia Federal.

Com isso, três depoimentos previstos no âmbito da investigação foram postergados.

Segundo informações do analista de Segurança Pública da CNN Elijonas Maia, alguns delegados já trabalham com a possibilidade de o inquérito ser concluído apenas em setembro. A previsão representa uma mudança em relação ao planejamento inicial, que apontava para o encerramento até o fim de agosto.

Investigação pode chegar perto do período eleitoral

A eventual conclusão em setembro colocaria o encerramento do inquérito a poucas semanas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

Esse é justamente um cenário que a Polícia Federal buscava evitar. Com a aproximação do período eleitoral, a corporação precisa direcionar esforços para ocorrências relacionadas às eleições, incluindo investigações envolvendo candidatos, presidenciáveis, governos estaduais e do Distrito Federal.

O atraso, portanto, pode aumentar a pressão sobre os investigadores para concluir as diligências pendentes antes que a estrutura da PF passe a operar sob uma demanda ainda maior relacionada ao processo eleitoral.

Fraudes, patrimônio no exterior e suspeitas envolvendo o BRB

O caso Master envolve diferentes frentes de investigação. Entre os pontos apurados estão suspeitas de fraudes que poderiam chegar a R$ 40 bilhões, além de bens de Daniel Vorcaro mantidos no exterior e já identificados pela Polícia Federal para possível bloqueio.

A investigação também alcança possíveis irregularidades relacionadas a fundos de investimento e aos sistemas de previdência de estados e municípios.

Outro eixo envolve a atuação de influenciadores nas redes sociais. A Polícia Federal teria identificado cerca de 40 perfis que, no ano passado, teriam sido utilizados para atacar o Banco Central.

As apurações ainda avançam sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Um novo depoimento de Daniel Vorcaro estava previsto para tratar especificamente de suspeitas relacionadas a cartas de crédito apresentadas como “cartas podres”, em um montante de R$ 12 bilhões.

Essa mesma investigação também apura uma suspeita de pagamento de propina por meio de imóveis de luxo a Paulo Henrique Costa. Segundo Elijonas Maia, a oitiva de Vorcaro sobre essa frente também poderá ser adiada.

Cronograma cada vez mais apertado

A sequência de adiamentos transforma o calendário da investigação em uma corrida contra o tempo. Cada depoimento postergado representa mais uma etapa que precisa ser reorganizada pela Polícia Federal e aumenta a possibilidade de que a conclusão do inquérito aconteça já em um período de intensa movimentação política no país.

Mais do que uma mudança de datas, o caso mostra como investigações complexas podem se prolongar quando envolvem múltiplos investigados, diferentes frentes de apuração e sucessivas solicitações das defesas. Agora, enquanto a PF tenta reorganizar o cronograma, a sociedade aguarda respostas sobre um dos maiores escândalos financeiros sob investigação no país, em um caso que reúne cifras bilionárias, suspeitas envolvendo instituições públicas e privadas e perguntas que ainda precisam ser esclarecidas pela Justiça.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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