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Lula deve associar Trump e Milei a Bolsonaro na reta final da eleição

Presidente pretende levar para televisão e rádio trechos de discurso na ONU e explorar diferenças entre os projetos econômicos e diplomáticos dos candidatos.

A reta final da campanha presidencial começa a ganhar contornos cada vez mais definidos, com os principais candidatos ampliando as estratégias para conquistar o eleitorado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende usar a relação de Flávio Bolsonaro (PL) com os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, como um dos pontos de sua comunicação eleitoral.

A estratégia, segundo informações da campanha, é associar Flávio aos modelos defendidos pelos dois líderes estrangeiros e sustentar que um eventual governo do senador poderia reproduzir no Brasil determinadas políticas adotadas por Trump e Milei. Entre os temas que devem ser explorados estão o comportamento dos preços, a renda das famílias e a manutenção de benefícios sociais.

Disputa eleitoral ganha dimensão internacional

A Argentina será utilizada como uma das referências nesse discurso. O governo de Javier Milei passou por avanços iniciais em alguns indicadores econômicos, mas também enfrenta desafios relacionados à inflação e à renda da população. Dados recentes mostram oscilações nos índices de pobreza, em um cenário ainda marcado pelo impacto do aumento dos preços sobre as famílias.

Nos Estados Unidos, a campanha de Lula pretende destacar outro conjunto de questões. Embora a economia americana apresente crescimento, a inflação continua sendo acompanhada de perto pelas autoridades e influenciou a condução da política monetária e dos juros.

A estratégia também deve aproveitar a participação de Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Trechos do discurso do presidente devem ser utilizados nos programas de televisão e rádio, principalmente aqueles relacionados ao combate à fome, à redução das desigualdades e ao enfrentamento da violência.

Trump, China e política externa no centro do debate

Além da comparação entre modelos econômicos, Lula pretende apresentar Flávio como um aliado político de Trump no Brasil. A avaliação da campanha petista é que essa associação pode ser explorada para discutir os rumos da política externa brasileira e os possíveis impactos de um alinhamento mais próximo aos Estados Unidos.

Outro ponto que deve entrar na disputa é a relação do Brasil com a China, atualmente o principal parceiro comercial do país. A campanha de Lula pretende argumentar que uma aproximação excessiva com Washington poderia criar dificuldades para as relações econômicas com Pequim.

O tema ganhou ainda mais espaço nesta segunda-feira (21), quando Flávio Bolsonaro afirmou, durante agenda de campanha em Natal (RN), que pretende manter uma relação “pragmática economicamente” com a China caso seja eleito. O candidato disse que pretende dialogar tanto com os Estados Unidos quanto com a China e buscar investimentos e transferência de tecnologia para o Brasil.

A posição declarada por Flávio acrescenta um novo elemento ao debate sobre política externa e mostra que as relações internacionais também devem ocupar espaço importante na reta final da disputa presidencial.

À medida que a eleição se aproxima, temas que ultrapassam as fronteiras brasileiras passam a fazer parte da disputa pelo voto. Economia, relações internacionais, combate à fome, segurança e o papel do Brasil no cenário mundial devem se transformar em argumentos cada vez mais presentes nos palanques e na propaganda eleitoral, colocando diante do eleitor diferentes visões sobre os caminhos que o país poderá seguir.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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