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STF e PF temem que suspeição de Gonet abra caminho para anulação de provas no caso Master

Conselho Superior do MPF analisa nesta sexta-feira (25) mensagens atribuídas a Vorcaro; eventual questionamento sobre atuação do procurador-geral pode ser usado pelas defesas para contestar elementos da investigação.

A investigação que envolve o Banco Master chega a mais um momento delicado, com a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no centro de um novo questionamento. Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal avaliam com preocupação a possibilidade de a atuação de Gonet ser considerada incompatível com a condução do caso.

A preocupação, segundo interlocutores dessas instituições, é que um eventual reconhecimento de suspeição seja utilizado pelas defesas dos investigados para questionar atos praticados durante a investigação e pedir a anulação de provas. Na avaliação desses grupos, isso poderia dificultar o avanço da apuração e abrir uma nova frente de disputa jurídica em torno do caso, que também envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Conselho do MPF analisa mensagens

O assunto será analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal nesta sexta-feira (25). O colegiado realizará uma sessão extraordinária para avaliar menções a Gonet encontradas em mensagens atribuídas a Vorcaro e verificar se o conteúdo pode comprometer a imparcialidade do procurador-geral na condução dos procedimentos relacionados ao Banco Master.

O procedimento foi aberto após uma representação apresentada por parlamentares do Partido Novo, que questionaram a permanência de Gonet à frente das investigações. O relator é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino.

A análise, no entanto, não corresponde a um processo administrativo disciplinar contra Gonet. O ponto central é avaliar se as referências ao procurador-geral encontradas no material apreendido pela Polícia Federal são suficientes para colocar em dúvida sua imparcialidade no caso.

Gonet nega proximidade com Vorcaro

As mensagens recuperadas do celular de Vorcaro colocaram o nome de Gonet no centro da discussão. Em uma das conversas, o ex-banqueiro teria mencionado “Paulo” e “Andrei” ao tratar de possíveis caminhos para interferir nas investigações. Segundo os investigadores, as referências seriam ao procurador-geral da República e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Gonet nega ter mantido relação de proximidade ou amizade com Vorcaro. Em manifestação encaminhada ao Conselho Superior do MPF, afirmou não possuir interesse pessoal nos processos envolvendo o ex-banqueiro e disse estar juridicamente apto a continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master. Segundo o procurador-geral, o único encontro presencial com Vorcaro ocorreu em abril de 2024, durante um evento em Londres.

Uma fotografia dos dois no evento londrino também passou a integrar o conjunto de elementos que alimentaram os questionamentos. A imagem foi localizada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e teve sua autenticidade confirmada pela Procuradoria-Geral da República. Gonet, porém, sustenta que o encontro foi breve e que não havia relação pessoal com o empresário.

Investigação enfrenta novos atrasos

O episódio ocorre em meio a outros impasses que vêm retardando a conclusão das investigações sobre o Banco Master. A expectativa era de que o relatório da Polícia Federal fosse finalizado em setembro, mas a crise envolvendo diferentes integrantes do STF e os adiamentos de depoimentos contribuíram para postergar o encerramento da apuração.

A situação também é acompanhada pelo grupo ligado ao ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o Master no Supremo. A decisão de Mendonça que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, posteriormente revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin, acrescentou mais um ponto de tensão à condução do caso.

Agora, a análise do Conselho Superior do MPF ganha importância justamente porque uma eventual mudança na situação de Gonet poderá provocar novos questionamentos das defesas sobre a validade de atos e provas produzidos durante a investigação.

O caso Master, que já atravessou disputas entre autoridades, decisões judiciais e sucessivos adiamentos, chega assim a mais uma etapa capaz de influenciar o rumo da apuração. Enquanto o Conselho do MPF examina as referências feitas a Gonet, a investigação permanece sob o olhar atento de instituições e investigados, em um cenário no qual cada decisão pode representar não apenas um novo capítulo, mas também a definição dos caminhos que ainda poderão ser percorridos até que os fatos sejam completamente esclarecidos.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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