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Hildon ganha protagonismo no debate da SIC TV e encerra noite de tensão com humor e convite aos adversários

Encontro reuniu os seis candidatos ao Governo de Rondônia e foi marcado por confrontos entre Samuel Costa e Expedito Netto, cobranças a Marcos Rogério e Fúria e um encerramento descontraído protagonizado por Hildon Chaves.

Em uma noite em que as palavras pesaram, os ânimos subiram e as acusações ocuparam boa parte do espaço reservado às propostas, o debate da SIC TV, realizado na noite desta segunda-feira (21), em Porto Velho, terminou de maneira inesperada. Depois de horas de confrontos entre os seis candidatos ao Governo de Rondônia, Hildon Chaves resolveu trocar a tensão pelo humor e encerrou sua participação convidando os próprios adversários para integrar um eventual futuro governo.

O encontro colocou frente a frente Marcos Rogério (PL), Adailton Fúria (PSD), Hildon Chaves (União Progressista), Expedito Netto (PT), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB). O debate, mediado pelo jornalista Cícero Moura, percorreu temas como saúde, Energisa, pedágios, infraestrutura, agricultura, educação, violência contra a mulher e situação financeira do Estado, mas também foi tomado por ataques pessoais, acusações e pedidos de direito de resposta.

Samuel Costa e Expedito Netto protagonizam o confronto mais pesado

O momento mais tenso da noite envolveu Samuel Costa e Expedito Netto. O confronto entre os dois candidatos deixou o debate próximo do limite em alguns momentos, com acusações relacionadas a episódios de campanhas anteriores e questionamentos pessoais.

Samuel foi acusado de ter negociado apoio ou o futuro de um eventual mandato em campanhas passadas, numa referência a fatos que já haviam sido publicados pela imprensa. Netto, por sua vez, foi desafiado a realizar exames de sangue durante o embate, numa tentativa de levar a discussão para o campo pessoal.

A troca de acusações foi um dos episódios que mais chamou atenção durante a transmissão. A imprensa local também registrou o confronto como um dos pontos centrais da noite, ao lado das discussões envolvendo Fúria, Hildon e Marcos Rogério.

Cheque de R$ 1 milhão volta ao centro da disputa

Outro episódio que ganhou força durante o debate foi a discussão envolvendo Expedito Netto e Marcos Rogério sobre um cheque de R$ 1 milhão.

A cobrança existe e tramita na Justiça de Rondônia. Em ação monitória que corre na 4ª Vara Cível de Ji-Paraná, Marcos Rogério cobra de Eduardo de Almeida Ferreira o pagamento de um cheque que, com atualização, chegou a R$ 1.131.358,90. A própria decisão judicial registra que o título está relacionado a um cheque prescrito.

Segundo a versão apresentada pelo senador no processo, o cheque teria sido entregue depois de uma negociação envolvendo R$ 1 milhão em dinheiro. Já Eduardo de Almeida Ferreira apresentou uma versão diferente à Justiça e afirmou que recebeu o cheque, mas que o valor alegadamente emprestado não teria sido efetivamente repassado.

A divergência é justamente um dos pontos centrais da disputa judicial. Em decisão relacionada ao processo, a Justiça determinou que Marcos Rogério apresentasse comprovação da efetiva transferência dos valores ao empresário, diante da alegação de que a quantia teria sido entregue em espécie.

O assunto ganhou ainda mais repercussão nas redes sociais depois que o ex-vereador Jabá Moreira passou a divulgar conteúdos relacionados ao caso, incluindo um áudio atribuído ao ex-diretor de uma empresa que teria recebido valores em espécie. A história de supostos sacos molhados com dinheiro também circulou em publicações políticas, mas essa versão não aparece, até aqui, como fato comprovado nos documentos judiciais consultados.

Marcos Rogério responde no campo político

Durante o debate, Marcos Rogério não apresentou uma explicação detalhada sobre a origem do dinheiro mencionada na discussão. O senador deslocou o confronto para o campo político e afirmou que as acusações buscavam atingir sua honra, relacionando os ataques ao posicionamento de adversários ligados ao campo petista.

A questão, entretanto, permanece judicializada e envolve versões distintas apresentadas pelas partes. Por isso, o caso não pode ser tratado simplesmente como uma conclusão sobre a origem do dinheiro ou sobre a responsabilidade de qualquer dos envolvidos.

A ação judicial, por outro lado, é pública e documenta a existência da cobrança. O processo mostra que Marcos Rogério efetivamente busca receber o valor de Eduardo de Almeida Ferreira e que a discussão sobre a entrega do R$ 1 milhão em espécie foi levada ao Judiciário.

Hildon confronta Fúria e coloca rejeito de asfalto no debate

Hildon Chaves também entrou no confronto direto. Em determinado momento, questionou Adailton Fúria sobre uma acusação envolvendo o uso de rejeito de asfalto e uma propriedade ligada à família do candidato.

O tema já vinha sendo acompanhado na cobertura eleitoral e ganhou espaço no debate justamente por envolver questionamentos sobre gestão pública e utilização de material relacionado a obras. Fúria foi colocado diante das acusações e teve espaço para responder durante o confronto.

Além desse episódio, o candidato também participou de discussões sobre temas estruturais para o Estado, mantendo uma postura de enfrentamento político sem transformar toda a participação em uma sequência de ataques pessoais. A cobertura posterior ao debate destacou justamente essa diferença de comportamento entre os candidatos.

Saúde, Energisa, pedágios e infraestrutura dominam propostas

Apesar da temperatura elevada em alguns momentos, o debate também colocou sobre a mesa problemas concretos que estarão entre os principais desafios do próximo governo.

Saúde, infraestrutura, educação, agricultura, segurança, pedágios, Energisa e situação financeira de Rondônia apareceram entre os assuntos discutidos. As respostas permitiram que os candidatos apresentassem diferentes visões sobre financiamento de hospitais, regionalização do atendimento, obras de infraestrutura, concessões e políticas para o interior.

A importância do encontro aumentou justamente pelo momento da campanha. A eleição se aproxima da reta final e a SIC TV havia anunciado o confronto como um dos principais encontros entre os candidatos antes da votação. Todos os seis postulantes participaram do programa.

Hildon se destaca pela postura durante o debate

Entre os momentos de maior tensão da noite, Hildon Chaves adotou uma postura de confronto político sem deixar que a participação se resumisse às trocas de acusações. O candidato questionou adversários sobre temas considerados sensíveis, apresentou posicionamentos sobre questões que afetam diretamente Rondônia e manteve participação ativa nos diferentes blocos do programa.

A atuação também chamou atenção pela maneira como conduziu as considerações finais. Depois de uma noite marcada por embates e pedidos de direito de resposta, Hildon encerrou sua participação recorrendo ao humor e convidando, de forma simbólica, os próprios adversários para integrar um eventual governo.

A estratégia mudou completamente o ambiente no estúdio. A brincadeira provocou risos e aplausos e passou a circular nas redes sociais em recortes e memes. O episódio deu ao candidato uma das cenas mais descontraídas de uma noite predominantemente marcada pela tensão.

Mais do que fugir dos confrontos, Hildon mostrou uma participação que combinou questionamentos, propostas e capacidade de reação diante dos adversários, encerrando o debate com uma mensagem de conciliação em meio à disputa eleitoral.

Hildon troca a pancadaria pelo humor no encerramento

Foi, assim, nas considerações finais que Hildon Chaves encontrou a maneira mais inusitada de encerrar a noite.

Depois de acompanhar um debate carregado de acusações, pedidos de resposta e confrontos, o candidato resolveu brincar com os próprios adversários e distribuiu, simbolicamente, cargos para todos eles em um eventual governo.

Marcos Rogério seria responsável pelas relações públicas. Adailton Fúria ficaria com a representação em Brasília. Expedito Netto seria convidado para uma futura Secretaria de Pesca. Pedro Abib assumiria a Educação. Samuel Costa iria para a área jurídica.

A brincadeira arrancou gargalhadas e aplausos no estúdio, inclusive entre adversários. O contraste com o clima que havia dominado praticamente toda a noite tornou a cena ainda mais marcante.

O momento também ganhou repercussão nas redes sociais, onde trechos do debate passaram a circular em diferentes formatos. A estratégia acabou criando uma espécie de válvula de escape depois de uma noite marcada pela tensão.

Um debate que terminou diferente de como começou

Hildon chegou ao palco para enfrentar adversários e não deixou de fazê-lo. Questionou, respondeu, entrou em confrontos e colocou assuntos delicados no centro da discussão. Mas, no momento decisivo do encerramento, escolheu um caminho diferente.

Em vez de terminar a noite reproduzindo o tom de confronto que havia marcado boa parte do programa, preferiu o humor. A escolha deu ao candidato uma cena espontânea e facilmente compartilhável, justamente em um ambiente político em que cada frase pode ganhar vida própria nas redes sociais.

A participação de Hildon na SIC TV também ocorreu dentro de uma estratégia de campanha que havia sido anunciada anteriormente. A candidatura confirmou presença no debate da emissora no dia 21 e no encontro da TV Rondônia, marcado para 29 de setembro, enquanto manteve agendas previamente programadas no interior, incluindo Ji-Paraná, Espigão do Oeste, Alta Floresta do Oeste e Vilhena.

O debate da SIC TV mostrou, mais uma vez, que uma eleição não é feita apenas de números, pesquisas ou discursos preparados. Diante das câmeras, candidatos também revelam temperamentos, capacidade de reação e maneiras diferentes de lidar com pressão. E, depois de uma noite carregada de acusações e tensão, Hildon encontrou no humor uma forma de baixar a temperatura do palco e deixar uma última imagem para o eleitor. No fim, entre a pancadaria política e as gargalhadas, foi justamente o inesperado que fechou a noite.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/Sic TV

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