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Governo anuncia pacote para MEIs com proposta de perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas a 12 dias do segundo turno

Programa Prospera MEI reúne cinco medidas, incluindo renegociação de débitos com descontos superiores a 90%, crédito de até R$ 5 mil e mudanças nas regras de faturamento e emissão de notas fiscais.

A menos de duas semanas da decisão presidencial, o governo federal anunciou um pacote de medidas que promete mexer diretamente na vida de milhões de pequenos empreendedores brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou nesta terça-feira (13), no Palácio do Planalto, o programa Prospera MEI, com cinco iniciativas voltadas aos microempreendedores individuais. Entre os principais pontos está uma proposta para perdoar R$ 12,6 bilhões em dívidas da categoria com o governo.

O anúncio ocorre em um momento politicamente estratégico, a 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, quando Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). As medidas foram detalhadas pelo ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, e incluem mudanças tributárias, facilidades para acesso ao crédito e um novo programa de renegociação de débitos.

Governo propõe perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas

Uma das principais medidas anunciadas é o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei complementar que prevê o perdão das dívidas dos microempreendedores individuais com o governo federal. Segundo o ministro, os débitos acumulados pela categoria chegam a R$ 12,6 bilhões.

O pacote também prevê uma nova versão do programa Desenrola, denominada Desenrola 3.0. A iniciativa permitirá que o governo compre dívidas dos MEIs junto às instituições bancárias e ofereça condições especiais para a quitação dos valores, com descontos superiores a 90%, conforme anunciado pelo ministro.

A proposta busca aliviar o endividamento dos pequenos empreendedores e facilitar a retomada de atividades de quem enfrenta dificuldades financeiras.

Pix MEI prevê recursos de até R$ 5 mil para investimentos

Outra novidade apresentada pelo governo é a criação do chamado Pix MEI. A iniciativa foi descrita por Paulo Pereira como uma modalidade de incentivo financeiro que poderá disponibilizar até R$ 5 mil para cada microempreendedor individual investir no próprio negócio.

A intenção é ampliar as condições de funcionamento e crescimento dos pequenos empreendimentos, permitindo que os recursos sejam utilizados para fortalecer as atividades comerciais e de prestação de serviços.

Governo quer ampliar teto de faturamento

O quarto ponto do pacote envolve a retomada da discussão sobre o aumento do limite anual de faturamento permitido aos microempreendedores individuais.

O governo pretende reforçar junto ao Congresso a aprovação de uma proposta que prevê reajustes progressivos no teto. Pelo texto encaminhado ao Legislativo, o limite passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e chegaria a R$ 140 mil em 2028.

A mudança é uma reivindicação antiga de representantes da categoria, que defendem a atualização do limite diante do crescimento dos custos e das atividades dos pequenos negócios.

Nota fiscal poderá deixar de ser obrigatória em vendas a pessoas físicas

A quinta medida prevê mudanças nas exigências para emissão de notas fiscais. Um decreto deverá cancelar a obrigatoriedade de emissão do documento pelos MEIs nas vendas de produtos e na prestação de serviços para pessoas físicas.

A iniciativa também alcançará os nanoempreendedores, categoria criada pela reforma tributária, que deverão ser dispensados da obrigação de emitir notas fiscais e de possuir Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

Pacote chega em momento decisivo da disputa presidencial

As cinco medidas colocam os microempreendedores individuais no centro de uma nova agenda econômica do governo justamente na reta final da campanha presidencial. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o anúncio amplia o debate sobre endividamento, geração de renda, crédito e condições para manter pequenos negócios em funcionamento.

Para milhões de brasileiros que dependem do próprio empreendimento para garantir o sustento da família, as propostas podem representar uma oportunidade de reorganização financeira e de novos investimentos. Entretanto, parte das iniciativas ainda depende de aprovação do Congresso ou de regulamentação para sair do papel.

Em uma eleição marcada pela disputa por apoio popular, medidas que atingem diretamente quem empreende e movimenta a economia local ganham peso especial. O desafio será transformar os anúncios em benefícios concretos, capazes de chegar à ponta e fazer diferença na realidade de quem enfrenta diariamente os custos e as dificuldades de manter um pequeno negócio.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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