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Ataque russo mata seis pessoas na Ucrânia e deixa centenas de milhares sem energia

Drone atingiu distribuidora de alimentos na cidade de Lutsk, deixando 12 feridos; ofensiva contra a infraestrutura energética também provocou apagões em diversas regiões e elevou a tensão entre Kiev e Moscou.

A guerra na Ucrânia voltou a deixar um rastro de mortes, destruição e medo entre a população civil. Um ataque russo com drone atingiu uma distribuidora de alimentos na cidade de Lutsk, no oeste do país, nesta quarta-feira (14), matando seis pessoas e deixando outras 12 feridas. Enquanto equipes de emergência trabalhavam entre os escombros em busca de possíveis vítimas, uma ofensiva de grandes proporções contra a infraestrutura energética ucraniana também provocou apagões que atingiram mais de 600 mil pessoas.

Segundo o governador regional, Roman Romanyuk, cinco vítimas foram encontradas sem vida sob os escombros da distribuidora de alimentos EuroHurt. Uma sexta pessoa morreu posteriormente no hospital. As equipes de resgate permaneceram mobilizadas durante as operações para localizar vítimas e prestar atendimento aos feridos.

Ataque atingiu distribuidora de alimentos e prédio residencial

Além dos danos provocados no armazém atacadista, o Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia informou que o ataque também atingiu uma área residencial próxima. Dois moradores de um edifício de apartamentos ficaram feridos, entre eles uma criança.

Com isso, o número total de feridos chegou a 12.

Imagens divulgadas pelas equipes de emergência mostram a dimensão dos estragos e o trabalho dos profissionais que atuaram no local. A identificação da área atingida foi confirmada por meio da comparação de edifícios, estacionamentos, telhados e outros elementos com registros anteriores e imagens de satélite.

Ofensiva contra infraestrutura deixa mais de 600 mil sem energia

Enquanto Lutsk enfrentava as consequências do ataque, outras regiões ucranianas também foram atingidas por uma ofensiva russa contra instalações estratégicas de energia.

De acordo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a Rússia lançou mais de 120 drones e 39 mísseis balísticos contra alvos em Kiev e Kharkiv. Os ataques provocaram interrupções no fornecimento de eletricidade e danos a instalações dos setores de petróleo e gás.

Mais de 600 mil pessoas ficaram sem energia elétrica na manhã desta quarta-feira (14), segundo o presidente ucraniano.

Zelensky afirmou que os bombardeios atingiram justamente estruturas que deveriam estar protegidas pelo cessar-fogo energético anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último fim de semana.

“Essa é justamente a infraestrutura abrangida pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente americano”, escreveu o líder ucraniano.

Jornalistas da CNN que estavam na capital relataram ter ouvido diversas explosões durante a ofensiva.

Zelensky critica falta de alertas antecipados dos aliados

A escalada dos ataques também provocou críticas do presidente ucraniano aos parceiros internacionais. Horas antes da nova ofensiva, Zelensky havia afirmado que o governo de Kiev não recebeu alertas antecipados de seus aliados sobre os bombardeios com mísseis balísticos registrados na terça-feira (13).

Na ocasião, uma importante usina de energia na capital foi atingida, e um edifício residencial também sofreu danos.

Segundo Zelensky, os sistemas de defesa aérea ucranianos identificaram os mísseis somente quando eles já estavam próximos da capital.

“Isso é absolutamente injusto: enquanto eles (os russos) destroem nossa infraestrutura energética, a Ucrânia sequer recebe alertas antecipados sobre lançamentos de mísseis balísticos”, declarou.

O presidente destacou que informações de inteligência fornecidas pelos Estados Unidos e outros países aliados são fundamentais para a defesa ucraniana. Esses dados incluem informações sobre a localização de lançadores, trajetórias dos projéteis e previsão dos momentos em que os ataques podem ocorrer.

Rússia afirma ter derrubado 902 drones

Em meio às acusações de Kiev, o Ministério da Defesa da Rússia informou que suas forças derrubaram 902 drones durante a noite, segundo a agência russa Interfax.

A declaração faz parte da sequência de informações divulgadas pelos dois governos em meio à intensificação das operações militares.

A nova onda de ataques evidencia a fragilidade das tentativas de redução das hostilidades e mantém a população ucraniana sob ameaça constante. Entre prédios danificados, estruturas energéticas destruídas e famílias atingidas pela violência, a guerra continua mostrando que seus efeitos ultrapassam os limites dos campos de batalha. Para quem vive nas cidades atacadas, cada explosão representa mais do que danos materiais: significa vidas interrompidas, medo de novos bombardeios e a incerteza sobre quando será possível voltar a viver em segurança.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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