Homens armados invadiram uma igreja durante um funeral na província de Karak. Em outro episódio de violência, Israel anuncia ampla operação militar na Cisjordânia após ataque que matou dois soldados israelenses.
A violência no Oriente Médio volta a ganhar novos contornos, com episódios que ampliam a insegurança e elevam a tensão na região. Na Jordânia, um ataque a tiros dentro de uma igreja deixou pelo menos sete mortos durante um funeral, provocando momentos de pânico entre dezenas de pessoas que participavam da cerimônia religiosa.
O ataque aconteceu na província de Karak, a aproximadamente 145 quilômetros ao sul da capital, Amã. De acordo com a agência de segurança pública jordaniana, homens armados abriram fogo no interior da igreja. Os suspeitos ainda não tiveram suas identidades divulgadas e estão sendo procurados pelas autoridades.
Disparos durante funeral provocaram pânico
Segundo relatos de testemunhas à emissora estatal Al-Mamlaka, um dos criminosos carregava um fuzil AK-47 Kalashnikov, e os disparos se prolongaram por vários minutos.
Tamer Halsa, uma das testemunhas, contou que dois homens desceram de um veículo e começaram a atirar nas proximidades da igreja. Ele relatou que havia mais de 150 pessoas dentro e fora do templo no momento do ataque.
A igreja fica em Hmood, localidade situada na província de Karak, onde a maioria da população é cristã.
O porta-voz do governo jordaniano, Mohammad Al-Momani, confirmou pelas redes sociais que as forças de segurança estavam acompanhando a ocorrência e monitorando a situação.
Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes sobre a motivação do ataque nem informações completas sobre os responsáveis.
Netanyahu anuncia operação militar de grande escala na Cisjordânia
Em outro episódio que amplia a tensão regional, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou uma ampla operação militar na Cisjordânia ocupada após um ataque a tiros contra um posto de controle militar israelense, na região de Hebron.
Na manhã desta sexta-feira, dois homens armados palestinos abriram fogo contra militares israelenses. Dois soldados morreram e outros três ficaram feridos. Os dois autores dos disparos foram mortos após o ataque.
Em resposta, Israel determinou um cerco total à cidade de Hebron e anunciou medidas de intensificação das operações militares em áreas palestinas.
Em comunicado, Netanyahu afirmou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) entrarão nos bairros de onde os autores do ataque partiram, com operações de busca de casa em casa, retirada de moradores e destruição de estruturas que o governo israelense classifica como infraestrutura terrorista.
“Estamos preparados para uma ampla operação na Judeia e Samaria”, declarou o primeiro-ministro, utilizando a denominação israelense para a Cisjordânia.
Israel promete ampliar assentamentos e intensificar ofensiva
Netanyahu também afirmou que pretende ampliar o modelo de operações militares utilizado em campos de refugiados palestinos para outras cidades do território. Segundo ele, as medidas incluem o isolamento de áreas urbanas, demolições de construções consideradas ilegais e ações contra estruturas próximas às rotas utilizadas pelas forças israelenses.
O primeiro-ministro ainda reafirmou o compromisso de ampliar os assentamentos israelenses na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967 e considerado pela comunidade internacional como parte de um futuro Estado palestino. Os assentamentos são considerados ilegais pelo direito internacional.
Desde que Netanyahu retornou ao poder, em dezembro de 2022, o governo israelense ampliou o apoio financeiro e logístico à expansão dessas comunidades.
Segundo levantamento citado pela CNN, foram estabelecidos 267 novos postos avançados ou acampamentos no período, enquanto outros 104 foram legalizados pelo governo israelense.
Netanyahu afirmou que pretende continuar expandindo essas estruturas, ao mesmo tempo em que intensifica as ações militares contra grupos que considera ameaças à segurança de Israel.
Ataque ocorre às vésperas de eleições em Israel
O episódio em Hebron acontece apenas quatro dias antes das eleições israelenses, as primeiras desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
A votação representa um importante teste político para Netanyahu, que tem procurado fortalecer sua imagem de liderança firme na área de segurança nacional, especialmente diante dos conflitos e das ameaças que marcaram seu governo.
Ainda não há definição sobre quando o fechamento da Cisjordânia entrará efetivamente em vigor nem sobre a duração das restrições.
Os dois episódios, embora ocorridos em países diferentes, evidenciam o ambiente de instabilidade que continua atingindo o Oriente Médio. Entre ataques contra civis, operações militares e disputas territoriais, a região permanece marcada por uma escalada de violência cujas consequências ultrapassam fronteiras e atingem, sobretudo, populações que convivem diariamente com o medo, a perda de familiares e a incerteza sobre o futuro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













