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Alcolumbre pode adiar sabatina de Jorge Messias ao STF e amplia tensão nos bastidores

Indicação de Lula, prevista para 31 de março de 2026, gera reação no Senado e pode ficar para depois das eleições.

Nos corredores de Brasília, onde cada gesto carrega significado político, o silêncio às vezes fala mais alto que qualquer discurso. E foi justamente a forma como a indicação ao Supremo veio à tona que acendeu um novo foco de tensão entre o Executivo e o Senado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou a aliados que pode segurar a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Indicação gera desconforto no Senado

O movimento ganhou força após a informação de que Lula formalizaria a indicação na terça-feira, 31 de março de 2026. No entanto, segundo relatos, Alcolumbre não foi comunicado oficialmente sobre a data e teria tomado conhecimento pela imprensa.

O episódio gerou incômodo nos bastidores. Embora já soubesse que o nome seria enviado em breve, a ausência de alinhamento direto com o comando do Senado foi interpretada como um gesto de desconsideração política.

Aliados do presidente do Senado afirmam que, diante desse cenário, ele pode optar por adiar o andamento da indicação, inclusive deixando a sabatina para depois das eleições.

Tramitação depende do comando do Senado

A análise do nome de Messias passa diretamente por Alcolumbre, que precisa encaminhar a indicação à Comissão de Constituição e Justiça.

O presidente da comissão, Otto Alencar, já indicou que não pode marcar a sabatina sem essa autorização, o que, na prática, coloca o ritmo do processo nas mãos da presidência do Senado.

Esse movimento reforça o peso político do cargo e evidencia como decisões institucionais também passam por articulações e relações de confiança.

Desgastes acumulados desde 2025

Nos bastidores, a resistência não é recente. Ela remonta a 2025, quando Lula decidiu indicar Jorge Messias contrariando a preferência de Alcolumbre, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado.

A escolha acabou gerando um desgaste que, agora, volta à tona em um momento decisivo para a composição do Supremo.

Enquanto isso, Messias tenta adotar um tom conciliador. Sem citar diretamente Alcolumbre, afirmou que pretende retomar o diálogo com o Senado “com humildade e fé”, buscando construir pontes em meio ao cenário de tensão.

No fim, mais do que uma indicação ao STF, o episódio revela como política é, antes de tudo, relação. Entre prazos, ritos e formalidades, o que realmente move decisões são gestos, diálogos e, muitas vezes, feridas ainda abertas. E, neste caso, o desfecho não dependerá apenas de currículos ou competências, mas da delicada arte de reconstruir confiança.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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