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Petrobras eleva querosene de aviação em 55% e pressão internacional acende alerta no setor aéreo

Reajuste confirmado em 1º de abril de 2026 ocorre em meio à alta do petróleo e tensão global envolvendo EUA, Israel e Irã.

Em um momento em que o mundo já vive sob o peso de incertezas econômicas e conflitos internacionais, mais um aumento chega para impactar diretamente o bolso e o cotidiano dos brasileiros. Desta vez, o reflexo vem pelos céus: o combustível que move a aviação ficou significativamente mais caro.

A Petrobras aumentou em 55% o preço do querosene de aviação, o chamado QAV, nas vendas das refinarias para as distribuidoras. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, pela agência Reuters e confirmada pela Jovem Pan.

Impacto direto nas passagens aéreas

O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas, especialmente em voos de médio e grande porte. Com o reajuste, a tendência é que o aumento seja repassado ao longo da cadeia, chegando inevitavelmente ao consumidor final.

Na prática, isso pode significar passagens mais caras, redução de promoções e até ajustes na malha aérea, dependendo da intensidade do impacto financeiro sobre as empresas.

Na véspera, terça-feira, 31 de março de 2026, o Grupo Abra, controlador da Gol, já havia antecipado que o aumento giraria em torno de 55%, o que se confirmou no dia seguinte.

Pressão internacional e guerra no radar

O reajuste ocorre em meio à escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Conflitos em regiões estratégicas, especialmente próximas a rotas de energia, tendem a afetar diretamente o valor do barril, criando um efeito cascata que atinge combustíveis em todo o mundo.

Até o momento, a Petrobras não se manifestou oficialmente sobre o reajuste.

Governo tenta conter efeitos no diesel

Enquanto o impacto chega ao setor aéreo, o governo federal também enfrenta pressão no preço de outros combustíveis, como o diesel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, na terça-feira, 31 de março de 2026, o efeito da guerra sobre os preços no Brasil.

Segundo ele, o país não pode ser penalizado por conflitos externos e o governo trabalha para evitar aumentos que afetem diretamente a inflação e o custo de vida.

Lula também destacou dificuldades estruturais no setor, mencionando a venda da BR Distribuidora em gestões anteriores, o que, segundo ele, dificulta o controle do repasse de preços ao consumidor.

Medidas em estudo

Como resposta, o governo avalia a edição de uma medida provisória para subsidiar o diesel importado, com desconto estimado em R$ 1,20 por litro. A proposta ainda depende de articulação com os estados e pode ser anunciada nos próximos dias.

A iniciativa busca conter os impactos econômicos e evitar uma escalada ainda maior nos preços, especialmente em um cenário de instabilidade global.

No fim, o aumento do querosene de aviação vai além de um ajuste técnico. Ele revela como decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância podem atravessar fronteiras e chegar rapidamente à rotina das pessoas. Seja no preço da passagem, no custo dos produtos ou na inflação, o reflexo é direto. E, mais uma vez, fica evidente como o mundo está conectado de uma forma em que nenhuma crise é realmente distante.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

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