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Anac aciona protocolo de pré-crise após pane no controle aéreo provocar caos em aeroportos de São Paulo

Falha elétrica registrada na manhã desta quinta-feira (9) interrompeu pousos e decolagens, afetou milhares de passageiros e mobilizou autoridades da aviação brasileira.

A manhã desta quinta-feira (09), começou com apreensão e incerteza para milhares de passageiros em São Paulo. Em meio a atrasos, cancelamentos e voos suspensos, a rotina de aeroportos movimentados deu lugar à tensão e à espera. Diante do cenário, a Agência Nacional de Aviação Civil acionou o protocolo de pré-crise para monitorar e mitigar os impactos provocados por uma pane no controle do tráfego aéreo.

A medida foi adotada após uma falha elétrica interromper temporariamente as operações nos principais aeroportos do estado, evidenciando a sensibilidade e a importância da infraestrutura que sustenta a aviação brasileira. O episódio mobilizou órgãos reguladores, concessionárias e a Força Aérea Brasileira, responsável pelo controle do espaço aéreo no país.

Monitoramento e resposta imediata

Segundo a Anac, o protocolo de pré-crise tem como objetivo acompanhar a evolução da situação e reduzir os prejuízos aos passageiros. As ações iniciais estão concentradas em duas frentes principais: o levantamento das companhias aéreas e rotas afetadas e a estimativa do número de pessoas impactadas.

Além disso, a agência acompanha o desempenho operacional de aeroportos e empresas ao longo do dia para avaliar possíveis reflexos e efeitos em cascata na malha aérea. Caso necessário, novas medidas poderão ser adotadas conforme a evolução do cenário.

Falha elétrica paralisou o espaço aéreo

A pane foi registrada na manhã desta quinta-feira (9) e levou ao fechamento temporário do espaço aéreo paulista. Durante o período, todos os pousos e decolagens foram suspensos, e aeronaves prontas para partir precisaram ser esvaziadas por medida de segurança.

De acordo com concessionárias aeroportuárias, o problema ocorreu na Torre de Controle de São Paulo, vinculada ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo, sediado no Aeroporto de Congonhas. O órgão é gerido pela FAB e coordena o fluxo aéreo em uma das regiões mais movimentadas do país.

Aeroportos afetados e retomada das operações

A interrupção atingiu importantes terminais, como Congonhas, Guarulhos, Viracopos e Campo de Marte. Em Guarulhos, os pousos e decolagens foram suspensos devido a uma interrupção geral no controle de tráfego aéreo da região conhecida como TMA-SP.

Em Congonhas, as operações ficaram paralisadas entre 8h58 e 10h09. Já em Viracopos, a suspensão ocorreu das 9h às 10h08, resultando em atrasos e cancelamentos de voos. No Campo de Marte, as atividades foram afetadas entre 9h30 e 10h34, sendo autorizados apenas pousos de aeronaves em aproximação.

Após cerca de 35 minutos de interrupção, as operações foram retomadas gradualmente, embora os reflexos tenham persistido ao longo do dia.

Suspeita de vazamento de gás e princípio de incêndio

As causas da pane ainda estão sob investigação. Informações preliminares apontam para a suspeita de vazamento de gás, possivelmente acompanhado por fumaça e princípio de incêndio, o que teria levado à evacuação preventiva do centro de controle.

O ministro de Portos e Aeroportos informou que a paralisação ocorreu por volta das 9h30. A medida foi adotada por segurança, enquanto equipes técnicas avaliavam a situação. O presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, destacou que a ocorrência é tratada como um caso isolado e segue sob apuração do Decea.

O papel estratégico do CRCEA-SE

A falha atingiu a área sob responsabilidade do Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), responsável por gerenciar o tráfego aéreo em regiões estratégicas como São Paulo e Rio de Janeiro.

O órgão coordena operações em aeroportos de grande relevância, incluindo Congonhas, Guarulhos, Santos Dumont e Galeão. Por concentrar a maior parte do fluxo aéreo do país, qualquer instabilidade em sua estrutura pode gerar impactos significativos em toda a aviação nacional.

Impactos além dos voos

A pane não afetou apenas pousos e decolagens. Equipamentos de solo, como caminhões de bagagem, esteiras e escadas de desembarque, também tiveram o funcionamento comprometido, evidenciando a complexidade do sistema logístico aeroportuário.

Mesmo após a liberação das pistas, a normalização da malha aérea ocorreu de forma gradual, com atrasos e remanejamentos que ainda repercutiam ao longo do dia.

Segurança e apuração

Em nota, a FAB informou que as aeronaves foram devidamente sequenciadas, respeitando rigorosamente os requisitos internacionais de segurança. O órgão confirmou que as atividades foram restabelecidas e que o problema técnico será investigado pelo Decea.

Enquanto as autoridades trabalham para esclarecer as causas da ocorrência, a Anac segue monitorando os desdobramentos e avaliando a necessidade de novas medidas para garantir a estabilidade do sistema aéreo.

Diante de um episódio que expôs a vulnerabilidade de uma das engrenagens mais essenciais do país, fica a reflexão: em um mundo cada vez mais conectado e dependente da mobilidade, cada minuto de interrupção revela não apenas falhas técnicas, mas também a importância da segurança, da eficiência e do cuidado com milhares de vidas que cruzam os céus diariamente.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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