Ex-presidente está com circulação ainda mais restrita após ter sido flagrado fora da cela durante visita de Michelle.
Preso há pouco mais de duas semanas, Jair Bolsonaro (PL) vive agora também o desgaste físico do confinamento. Segundo relatos, o ex-presidente tem se queixado de dores de cabeça frequentes, atribuídas ao ruído constante de um gerador instalado ao lado da sala de estado-maior onde ele cumpre a pena, na superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A reclamação já teria sido formalmente repassada à PF e foi relatada por Bolsonaro durante conversas com visitantes, além das equipes jurídica e médica que o acompanham. Desde a prisão, em 22 de novembro, ele permanece na mesma sala, sem autorização para circular pelos corredores do prédio.
Circulação ainda mais restrita após episódio com Michelle
No domingo seguinte à prisão, em 23 de novembro, Bolsonaro foi flagrado pela CNN se despedindo da esposa, Michelle Bolsonaro, na primeira visita que recebeu no local. A cena, registrada fora da sala, foi suficiente para provocar um endurecimento imediato nas regras de circulação do ex-presidente dentro da superintendência.
Desde então, qualquer possibilidade de deslocamento pelo térreo do prédio, onde fica a sala de estado-maior, passou a ser ainda mais limitada. Como medida adicional para evitar exposição, a Polícia Federal instalou películas nos vidros do local já no dia seguinte ao episódio.
O isolamento, o barulho constante e as restrições impostas desenham um novo capítulo na rotina do ex-presidente atrás das grades. Longe dos palanques, holofotes e multidões, Bolsonaro enfrenta agora o silêncio pesado da reclusão interrompido apenas pelo ruído de máquinas e pelo peso das próprias circunstâncias. Um cenário que, mais do que físico, escancara o impacto humano de uma queda que ainda ecoa fortemente na política brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













