Relatório apresentado em 27 de março de 2026 inclui Carlos Lupi e José Carlos Oliveira entre os alvos; parecer ainda sugere aprofundamento das apurações sobre Onyx Lorenzoni.
Quando as investigações avançam sobre os bastidores do poder, o impacto ultrapassa nomes e cargos. Ele atinge diretamente a confiança da população em instituições que deveriam proteger justamente os mais vulneráveis. É nesse cenário que o relatório final da CPMI do INSS traz à tona novas camadas de um esquema que, segundo o relator, operava dentro da própria estrutura pública.
Apresentado nesta sexta-feira (27), o parecer do deputado Alfredo Gaspar inclui o pedido de indiciamento de dois ex-ministros da Previdência, que atuaram em governos distintos, tanto de Jair Bolsonaro quanto de Luiz Inácio Lula da Silva. O relatório ainda precisa ser votado pela comissão, que encerra seus trabalhos neste sábado (28).
Ex-ministros na mira da CPMI
Entre os nomes citados está Carlos Lupi, que comandou a Previdência entre 2023 e abril de 2025. Segundo o relator, o pedido de indiciamento se baseia em um suposto padrão de omissão deliberada e blindagem política de agentes envolvidos nas fraudes contra aposentados e pensionistas.
Também foi incluído José Carlos Oliveira, que atualmente utiliza o nome Ahmed Mohamad Oliveira Andrade. Ele foi ministro em 2022 e presidiu o INSS em período considerado estratégico para a expansão do esquema investigado.
Investigação pode avançar sobre Onyx Lorenzoni
Embora não tenha pedido o indiciamento de Onyx Lorenzoni, o relator sugeriu o aprofundamento das investigações envolvendo o ex-ministro, que esteve à frente da Previdência entre 2021 e 2022.
Segundo o parecer, dois pontos levantam suspeitas: a indicação de José Carlos Oliveira para o cargo e o recebimento de doação de um dos investigados para a campanha de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022.
Para o relator, a nomeação de Oliveira representou um momento de fortalecimento do esquema dentro da estrutura pública.
Crimes apontados e estrutura do esquema
O relatório, que soma 4.340 páginas, detalha uma série de condutas atribuídas aos investigados. No caso de Carlos Lupi, são citados crimes como prevaricação, condescendência criminosa e fraude eletrônica por omissão.
Já em relação a José Carlos Oliveira, o documento aponta uma atuação mais direta, incluindo acusações de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
Segundo o texto, o esquema teria se consolidado justamente durante o período em que Oliveira ocupava cargos de direção no INSS e no ministério.
Uma investigação que atravessa governos
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS chega à reta final com um alcance que atravessa diferentes gestões e estruturas de poder. Ao todo, são 216 pessoas citadas para indiciamento, entre empresários, servidores, intermediários e políticos.
O prazo da comissão termina neste sábado (28), após decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a prorrogação dos trabalhos.
O que fica para além dos nomes
Mais do que uma lista de indiciamentos, o relatório expõe um cenário que desafia a confiança pública. Quando suspeitas de irregularidades atingem justamente o sistema responsável por garantir benefícios a aposentados e pensionistas, o impacto é ainda mais profundo.
No fim, a discussão não é apenas sobre quem será responsabilizado, mas sobre como evitar que estruturas criadas para proteger cidadãos sejam usadas contra eles. Porque, para quem depende desse sistema, justiça não é apenas uma palavra. É uma necessidade urgente e cotidiana.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













