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CPMI do INSS rejeita convocação do irmão de Lula

José Ferreira da Silva, o Frei Chico, não será ouvido pela comissão que investiga fraudes no INSS; requerimentos foram barrados por governistas.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou nesta quinta-feira (16) o pedido de convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os requerimentos foram derrotados por 19 votos a 11, após a comissão pautar 11 pedidos que miravam o sindicalista, diretor vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das entidades investigadas em esquema de fraude bilionário.

A votação marcou mais um capítulo das disputas internas entre governistas e oposição na CPMI. Segundo informações da comissão, os parlamentares ainda devem analisar nesta quinta-feira o pedido de prisão preventiva de Milton Baptista de Souza Filho, do Sindnapi, que já foi ouvido, mas não respondeu à maioria das perguntas. Ele negou envolvimento de Frei Chico na administração da entidade.

Sindnapi sob investigação

Na semana passada, o Sindnapi foi alvo de operação da Polícia Federal, e na terça-feira (14), o ministro do STF André Mendonça ordenou o bloqueio de aproximadamente R$ 390 milhões em bens e valores do sindicato. Em paralelo, foram retirados da pauta da CPMI os requerimentos que determinavam quebras de sigilo do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), por acordo entre oposição e governistas.

Além disso, a comissão ouviu o assessor Cícero Marcelino de Souza Santos, ligado à Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), cujo presidente, Carlos Roberto Ferreira Lopes, já prestou depoimento e chegou a ser preso em flagrante.

Quem é Frei Chico

José Ferreira da Silva, 83 anos, é um dos 17 irmãos do presidente Lula. Conhecido pelo apelido de Frei Chico, recebeu a alcunha de Maurício Soares, ex-prefeito de São Bernardo do Campo, em referência à sua calvície. Natural de Pernambuco, atualmente aposentado e morador de São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, Frei Chico foi peça-chave para que Lula tivesse contato com o movimento sindical a partir de 1964, quando o ex-presidente se mudou para o ABC Paulista e começou a trabalhar na metalúrgica Indústrias Villares.

Em entrevistas, José Ferreira da Silva relatou que introduzir Lula no meio sindical não foi tarefa fácil, mas teve papel determinante na trajetória política do irmão, sendo referência no início de sua militância. A rejeição de sua convocação pela CPMI mantém o sindicalista fora do centro das investigações, enquanto o colegiado segue com depoimentos e análises de outros envolvidos.

Reflexão

O episódio reforça a tensão entre poder político e investigação institucional, mostrando como disputas de interesse podem influenciar o andamento de comissões que buscam esclarecer fraudes milionárias. Para a sociedade, a ausência de Frei Chico na CPMI representa uma lacuna no entendimento de todo o contexto investigativo, mantendo muitas perguntas ainda sem respostas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Ricardo Stuckert

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