Planalto mantém intenção de enviar projeto com urgência, mas tenta alinhar estratégia política para garantir votação até maio.
Em meio a um tema que toca diretamente a rotina de milhões de trabalhadores, o debate sobre o fim da escala 6×1 ganha novos contornos em Brasília. Entre pressões políticas, expectativas sociais e disputas de narrativa, o governo tenta equilibrar firmeza e cautela para não perder o timing de uma proposta com forte apelo popular.
Fontes do Palácio do Planalto afirmaram, nesta semana, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não recuou da intenção de enviar ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência para acabar com a escala 6×1. Ainda assim, nos bastidores, cresce a defesa por mais diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, como forma de evitar entraves políticos.
Tensão entre Planalto e Câmara marca bastidores
A relação entre Executivo e Legislativo ficou mais sensível após declarações de Motta sugerindo que o governo teria desistido de apresentar o projeto e optado por apoiar uma Proposta de Emenda à Constituição que já tramita na Comissão de Constituição e Justiça.
A fala não caiu bem entre ministros do Planalto, que negam qualquer mudança de estratégia e reforçam que o envio do projeto segue nos planos.
Projeto com urgência ainda é prioridade
A proposta do governo é encaminhar um Projeto de Lei com urgência constitucional, mecanismo que pode travar a pauta da Câmara caso não seja analisado em até 45 dias.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou publicamente que o texto deve ser enviado nos próximos dias. Ele chegou a indicar a terça-feira (13), como possível data para o envio, embora ainda não tenha tratado diretamente do tema com Hugo Motta.
Divisão interna e cautela na estratégia
Apesar do discurso oficial, há divergências dentro do próprio governo. Integrantes da Secretaria de Relações Institucionais avaliam que houve precipitação ao anunciar o regime de urgência antes de construir um acordo político mais sólido.
Segundo esses interlocutores, o movimento antecipado pode ter contribuído para a reação da Câmara e aumentado a tensão entre os Poderes.
PEC em andamento influencia decisão
Diante do cenário, o governo passou a acompanhar mais de perto a tramitação da PEC já em análise na Comissão de Constituição e Justiça. A orientação é agir com cautela e buscar consenso com a presidência da Câmara antes de qualquer decisão definitiva.
Nos bastidores, há reconhecimento de que Hugo Motta demonstrou disposição em acelerar a análise da proposta, com previsão de votação na CCJ já na próxima semana.
Prazo político pressiona votação
O presidente Lula trabalha com a expectativa de que o tema seja votado até maio de 2026. No entanto, há avaliação dentro do governo de que, caso o Congresso avance rapidamente com a PEC, o envio de um projeto próprio pode perder força política.
Entre discursos firmes e articulações discretas, o que se desenha é um jogo de equilíbrio entre urgência social e viabilidade política. No fim, mais do que uma disputa de versões, o debate sobre a escala 6×1 reflete algo maior: o desafio de transformar demandas da população em decisões concretas, sem perder o diálogo que sustenta a democracia.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













