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Escritório da esposa de Moraes é ligado a R$ 80,2 milhões do Banco Master, e caso levanta questionamentos

Dados da Receita Federal sobre os anos de 2024 e 2025 foram enviados à CPI do Crime Organizado; defesa nega irregularidades e fala em informações vazadas de forma ilícita.

Em meio a um cenário político já carregado de desconfianças e disputas, novos dados colocam mais uma camada de tensão sobre figuras centrais do Judiciário brasileiro. Não se trata apenas de números altos, mas do impacto que eles provocam na percepção pública sobre transparência, ética e confiança nas instituições.

Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado indicam que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, teria recebido R$ 80,2 milhões do Banco Master entre os anos de 2024 e 2025. Os valores foram identificados a partir das declarações de Imposto de Renda da própria instituição financeira.

Origem dos valores e contexto da investigação

Os pagamentos estariam vinculados a serviços prestados ao banco, que era comandado pelo empresário Daniel Vorcaro, preso desde março de 2026. A apuração ocorre no âmbito da CPI do Crime Organizado, que reúne informações fiscais e financeiras para entender possíveis conexões e irregularidades.

A dimensão dos valores chamou a atenção dos investigadores e ampliou o foco sobre a relação entre o banco e o escritório de advocacia.

Defesa nega irregularidades e questiona vazamento

Procurado, o escritório Barci de Moraes afirmou não confirmar as informações divulgadas e classificou os dados como incorretos e obtidos de forma ilegal. Em nota, reforçou que informações fiscais são protegidas por sigilo e não poderiam ter sido expostas.

A banca também destacou que não reconhece os valores apresentados nos documentos, buscando afastar qualquer interpretação de irregularidade.

Prestação de serviços já havia sido admitida

Apesar da negativa quanto aos números, a própria advogada já havia reconhecido, em março de 2026, que prestou serviços ao Banco Master. Segundo nota divulgada à época, o trabalho envolveu ampla consultoria jurídica, com a atuação de uma equipe de 15 advogados, além da subcontratação de outros três escritórios.

O escritório informou ainda que foram realizadas 79 reuniões na sede da instituição financeira, indicando uma atuação extensa e contínua. No entanto, os valores cobrados pelos serviços não foram divulgados oficialmente.

Contrato milionário veio à tona anos antes

A relação entre as partes não é recente. Em dezembro de 2022, o jornal O Globo revelou a existência de um contrato que poderia chegar a R$ 129 milhões, com pagamentos previstos entre 2024 e 2027.

Esse acordo, no entanto, foi impactado pela liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, o que levou à interrupção dos repasses.

No meio de cifras milionárias, versões conflitantes e investigações em andamento, o caso ultrapassa o campo jurídico e toca diretamente em algo mais sensível: a confiança da sociedade. Em tempos em que cada detalhe é observado com lupa, o que está em jogo não é apenas esclarecer números, mas preservar a credibilidade de instituições que sustentam o próprio Estado.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão

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