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EUA deslocam drones militares para Colômbia e Equador em ofensiva contra o narcotráfico

Aeronaves MQ-9 Reaper foram transferidas da África para a América do Sul em meio à estratégia de Donald Trump de ampliar operações militares contra o narcotráfico e grupos criminosos.

Os Estados Unidos começaram a deslocar drones militares MQ-9 Reaper para a Colômbia e o Equador, em uma nova etapa da estratégia do governo de Donald Trump para ampliar as ações de combate ao narcotráfico e ao chamado narcoterrorismo na América Latina.

A movimentação, revelada pelo jornal The New York Times, ocorre após a transferência das aeronaves da África para a América do Sul no último mês. O plano já havia sido antecipado pela CNN em setembro, quando fontes ligadas ao planejamento militar americano apontaram que equipamentos utilizados em operações no continente africano seriam deslocados para o comando responsável pela América do Sul.

A confirmação sobre os destinos dos drones foi divulgada nesta terça-feira (6), com base em informações de dois funcionários americanos familiarizados com a decisão. O número total de aeronaves que serão empregadas em cada país, no entanto, ainda não foi oficialmente informado.

Colômbia e Equador ampliam cooperação militar com os EUA

No Equador, o ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, afirmou na semana passada que duas aeronaves MQ-9 Reaper já estavam operando no espaço aéreo do país.

Na Colômbia, autoridades haviam informado durante o verão que o país concordou em receber três unidades do modelo. Segundo o The New York Times, o governo colombiano também avalia a possibilidade de adquirir mais uma aeronave.

O Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares americanas na América Latina e no Caribe, não comentou oficialmente a transferência dos drones.

A movimentação ocorre em um momento de aproximação entre Washington e governos sul-americanos considerados aliados na estratégia de combate ao crime organizado.

“Escudo das Américas” reúne países contra os cartéis

Colômbia e Equador integram o chamado “Escudo das Américas”, também conhecido como “Coalizão das Américas contra os Cartéis”, iniciativa criada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação com países latino-americanos no enfrentamento ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas.

Os presidentes Daniel Noboa, do Equador, e Abelardo De La Espriella, da Colômbia, já concordaram em permitir a presença de tropas americanas em seus respectivos territórios.

A aliança começou neste ano com 12 países e, segundo as informações apresentadas na reportagem, já chegou a 19 integrantes. O principal objetivo declarado é fortalecer o compartilhamento de inteligência e a realização de operações conjuntas contra organizações criminosas.

A estratégia segue uma linha semelhante à adotada anteriormente pelos Estados Unidos em operações contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.

MQ-9 Reaper é considerado um dos drones mais avançados

Conhecido pela capacidade de realizar missões de vigilância e ataques de precisão, o MQ-9 Reaper é um dos principais drones empregados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

A aeronave já foi utilizada em operações contra organizações extremistas, incluindo o Estado Islâmico e o al-Shabaab, na África. O modelo também esteve envolvido na operação americana que matou, em 2020, o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Qassim Suleimani.

A disponibilidade dessas aeronaves, entretanto, passou a ser uma questão estratégica para os Estados Unidos diante das perdas registradas em conflitos recentes.

Segundo o The New York Times, pelo menos 45 unidades teriam sido destruídas durante a guerra com o Irã, aumentando a pressão sobre os estoques americanos de um equipamento considerado de alto valor militar.

Movimento já havia sido antecipado pela CNN

A transferência dos drones não é uma decisão isolada. Em setembro, a CNN informou que o Exército americano já planejava retirar MQ-9 Reaper que operavam na África para colocá-los sob o comando militar responsável pela América do Sul.

Naquele momento, seis fontes familiarizadas com o planejamento afirmaram que a mudança fazia parte de uma ampliação da presença militar dos Estados Unidos na região.

No ano passado, Washington já havia deslocado para o Caribe uma combinação de drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos uma aeronave AC-130, em meio à campanha contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.

A nova movimentação, porém, representa uma mudança ainda mais significativa, porque ocorre paralelamente aos planos anunciados pelo governo Trump de ampliar operações terrestres em parceria com países sul-americanos.

África perde espaço entre as prioridades militares de Washington

A retirada de parte dos equipamentos da África acontece apesar da permanência de ameaças de grupos extremistas no continente.

Comandantes americanos continuam alertando para a atuação de organizações como o Estado Islâmico e o al-Shabaab, que mantêm presença em diferentes regiões mesmo diante da redução da presença militar dos Estados Unidos nos últimos anos.

Ainda assim, a África passou a ocupar uma posição inferior na lista de prioridades estratégicas de Washington diante da necessidade de distribuir recursos militares entre diferentes regiões do mundo.

A mudança ganhou força com a definição do Hemisfério Ocidental como uma das principais prioridades do Pentágono. A estratégia inclui o fortalecimento da defesa do território americano e o aumento da cooperação militar com países considerados parceiros na região.

América Latina entra no centro da estratégia de Trump

A transferência dos MQ-9 Reaper evidencia uma mudança de foco na atuação militar dos Estados Unidos. Enquanto Washington mantém interesses estratégicos no Pacífico, no Oriente Médio e na Europa, o combate ao narcotráfico passou a ocupar espaço crescente na agenda de segurança do governo Trump.

Para Colômbia e Equador, a presença dos equipamentos representa uma ampliação da capacidade de monitoramento e inteligência contra organizações criminosas. Para Washington, o movimento reforça a tentativa de transformar a cooperação militar com governos aliados em uma ferramenta permanente de combate ao tráfico internacional de drogas.

O deslocamento dos drones, portanto, vai além da simples transferência de equipamentos militares. Ele sinaliza que a América do Sul passou a ocupar um espaço mais estratégico nos planos de segurança dos Estados Unidos, em uma região onde o combate ao narcotráfico começa a ganhar uma dimensão cada vez mais militarizada.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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