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EUA preparam envio de drones à América do Sul em nova ofensiva militar

Movimentação inclui drones MQ-9 Reaper transferidos da África e ocorre em meio à ampliação de operações antidrogas e antiterrorismo dos Estados Unidos na região.

A América do Sul pode estar prestes a entrar em uma nova fase da estratégia militar dos Estados Unidos. Em meio ao avanço das operações contra o narcotráfico e grupos classificados como terroristas por Washington, o Exército americano prepara a transferência de drones MQ-9 Reaper para o comando militar responsável pela América do Sul, segundo seis fontes familiarizadas com o planejamento ouvidas pela CNN. A movimentação amplia a presença de equipamentos militares norte-americanos na região e pode sinalizar uma mudança significativa na forma como essas operações serão conduzidas.

Os drones atualmente estão vinculados ao Comando dos EUA para a África e são utilizados tanto para coleta de inteligência quanto para ataques de precisão. Ainda não foi definido publicamente quantas aeronaves serão transferidas para o Comando Sul dos Estados Unidos, mas uma das fontes afirmou que a “maioria” dos equipamentos poderá ser deslocada. A transferência ocorre enquanto Washington amplia acordos de cooperação militar com países sul-americanos.

América do Sul ganha espaço na estratégia dos EUA

No ano passado, os Estados Unidos já haviam deslocado uma combinação de drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos um avião de ataque AC-130 para o Caribe, como parte da campanha contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.

Agora, a estratégia começa a avançar para operações terrestres em parceria com governos da América do Sul. Segundo fontes ouvidas pela CNN, os novos deslocamentos de equipamentos antecedem possíveis ações antidrogas e antiterrorismo, incluindo operações no Equador, que iniciou neste ano atividades militares conjuntas com os Estados Unidos contra organizações classificadas como terroristas.

A movimentação, porém, ainda não está completamente definida. Há discussões dentro do governo americano sobre a possibilidade de parte dos drones ser direcionada ao Oriente Médio, especialmente depois das perdas de equipamentos militares durante a guerra contra o Irã, entre eles aeronaves MQ-9.

Retirada da África gera preocupação

A transferência de equipamentos para a América do Sul também ocorre em meio a preocupações sobre a continuidade das operações americanas no continente africano. Líderes militares dos Estados Unidos vêm alertando que grupos como o ISIS e o al-Shabaab continuam atuantes, mesmo diante da redução da presença militar americana nos últimos anos.

Embora autoridades tenham indicado que as ações contra grupos terroristas continuarão, algumas fontes demonstraram preocupação com a retirada de equipamentos como os MQ-9. A redução desses recursos pode dificultar operações de inteligência, monitoramento e ataques contra organizações extremistas que continuam sendo consideradas ameaças pelos Estados Unidos.

A mudança está alinhada à prioridade estabelecida pelo secretário de Defesa Pete Hegseth para a proteção do território americano e do hemisfério ocidental. A defesa dessa área foi apontada como a principal prioridade do Pentágono na Estratégia Nacional de Defesa divulgada em janeiro.

Washington amplia parcerias militares

O avanço da presença americana na América do Sul acontece paralelamente à aproximação militar com países da região. Durante uma conferência conjunta realizada no Panamá, em agosto, Hegseth citou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia como parceiros dos Estados Unidos em ações contra o que classificou como “narcoterroristas”.

Segundo o secretário de Defesa, a Colômbia teria solicitado a participação americana em operações militares conjuntas para combater organizações criminosas e redes classificadas como terroristas.

Na semana passada, o secretário de Estado Marco Rubio também afirmou, durante visita à região, que Washington busca inaugurar uma “era dourada” na relação com a Colômbia. De acordo com informações divulgadas anteriormente pela CNN, o governo colombiano teria chegado a um acordo com os Estados Unidos para o empréstimo de três drones MQ-9A Reaper destinados ao monitoramento de corredores de narcotráfico e à possibilidade de realização de ataques de precisão.

Panamá também recebe equipamentos

A ampliação da cooperação militar americana não está restrita aos drones MQ-9. Na quinta-feira, a Embaixada dos Estados Unidos no Panamá anunciou a entrega de mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance ao país.

Os equipamentos não são do modelo MQ-9 e foram destinados ao Serviço Aeronaval Nacional do Panamá. Segundo a representação diplomática americana, os sistemas permitirão monitorar áreas fronteiriças remotas, proteger corredores marítimos estratégicos e combater redes de tráfico de drogas e contrabando de pessoas.

Ataques já deixaram pelo menos 230 mortos

A nova movimentação ocorre depois de meses de operações americanas contra supostos narcotraficantes no Caribe e no Pacífico Oriental. Segundo a CNN, pelo menos 230 pessoas morreram nessas ações.

O impacto efetivo da campanha sobre o tráfico de drogas, no entanto, ainda é questionado por autoridades policiais e especialistas ouvidos pela emissora. Uma das avaliações é de que uma eventual redução na quantidade de cocaína apreendida por rotas marítimas pode estar relacionada à mudança de caminhos ou estratégias adotadas pelos cartéis.

Outro especialista ouvido pela CNN afirmou que o tráfico de drogas normalmente não ocorre por meio dos mesmos tipos de embarcações atingidas pelas operações americanas e classificou a campanha como “performática”.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos passaram a adotar, em parte, uma nova estratégia. Mais de meia dúzia de embarcações foram interceptadas, suas tripulações foram retiradas e os barcos foram posteriormente transferidos para países parceiros antes de serem afundados.

Rubio afirmou que a mudança está relacionada à realização de operações em coordenação com governos estrangeiros. Segundo ele, cada país possui suas próprias leis e procedimentos, o que influencia a maneira como as ações conjuntas podem ser realizadas.

Apesar da mudança de estratégia, os Estados Unidos não abandonaram completamente os ataques contra embarcações tripuladas. O Exército americano informou que três integrantes de uma tripulação foram mortos durante um ataque realizado em 9 de setembro contra uma embarcação suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas no Caribe.

A possível chegada de mais drones e equipamentos militares à América do Sul coloca a região diante de uma transformação que vai muito além da tecnologia empregada nas operações. Enquanto os Estados Unidos ampliam sua atuação e buscam novos parceiros para combater o narcotráfico e o terrorismo, crescem também as discussões sobre os limites, os resultados e as consequências de uma presença militar cada vez maior no continente. O que está em movimento agora não são apenas aeronaves e equipamentos, mas uma nova configuração de segurança que poderá deixar marcas profundas na região.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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