Após indefinição interna no partido, prefeito recua de pré-candidatura ao governo e reposiciona estratégia política para 2026.
Em meio a articulações, expectativas e bastidores intensos da política rondoniense, o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, tomou uma decisão que muda o rumo de sua trajetória neste momento. Após semanas de incertezas e disputas internas, ele optou por permanecer à frente da Prefeitura, abrindo mão, ao menos por agora, do projeto de disputar o Governo de Rondônia.
O movimento não acontece isoladamente. Ele reflete um cenário político em ebulição, marcado por alianças em construção, disputas dentro de partidos e a antecipação de um embate eleitoral que já começa a ganhar forma para 2026.
Disputa interna pesou na decisão
Nos últimos dias, o nome de Flori vinha sendo ventilado como pré-candidato ao governo pelo Podemos, inclusive com respaldo de lideranças importantes da sigla. O prefeito de Porto Velho e presidente estadual do partido, Léo Moraes, chegou a apresentá-lo como um dos principais quadros para a disputa.
No entanto, o cenário mudou rapidamente com a entrada de novos nomes na corrida interna, como o deputado Delegado Camargo, o que gerou desconforto e indefinição dentro da legenda.
Diante desse impasse, Flori decidiu recuar da pré-candidatura e permanecer no comando do município até o fim do mandato.
Gestão e capital político em jogo
A decisão também leva em conta o momento administrativo. Reeleito com votação expressiva, superior a 74% dos votos válidos, Flori tem em andamento uma série de obras e projetos que impactam diretamente a população de Vilhena.
Além disso, sua gestão tem sido marcada por medidas de impacto, como reajuste salarial a servidores e investimentos em áreas estratégicas, o que fortalece sua base política local.
Permanecer no cargo, nesse contexto, significa preservar capital político e manter protagonismo regional.
Apoio a Marcos Rogério entra no radar
Mesmo permanecendo no Podemos, Flori já admite que pode apoiar o senador Marcos Rogério na disputa pelo governo.
A aproximação passa por afinidades políticas e articulações com lideranças como Luizinho Goebel e Fernando Máximo, que também têm peso no cenário estadual.
Esse possível apoio indica uma reconfiguração de forças e reforça a tendência de alianças que ultrapassam as fronteiras partidárias.
Um movimento estratégico em meio à incerteza
A decisão de Flori não representa necessariamente um recuo definitivo, mas sim um reposicionamento em um tabuleiro político ainda em formação. Em Rondônia, onde a disputa pelo governo já reúne diversos nomes e interesses, cada escolha carrega consequências que vão além do presente.
No fim, o gesto do prefeito revela algo comum na política, mas nem sempre visível para quem observa de fora: saber a hora de avançar, mas também de esperar. Porque, às vezes, permanecer onde se está não é sinal de recuo, mas de estratégia. E é justamente nesse silêncio calculado que muitos caminhos começam a ser redesenhados.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Facebook













