Seis candidatos ficaram frente a frente na Rede Amazônica e protagonizaram discussões sobre saúde, segurança, infraestrutura, saneamento, agronegócio e regularização fundiária.
Quando os seis candidatos ao Governo de Rondônia ficaram frente a frente, na noite desta terça-feira (29), o debate deixou de lado por algumas horas o discurso preparado para a propaganda eleitoral e colocou os concorrentes diante de perguntas, cobranças e respostas diretas. Em uma eleição que chega à reta final antes do primeiro turno, temas que fazem parte da vida cotidiana dos rondonienses, como saúde, segurança, estradas, saneamento e produção rural, foram levados ao centro da discussão.
Realizado pela Rede Amazônica, em Porto Velho, o encontro reuniu Adailton Furia (PSD), Expedito Netto (PT), Hildon Chaves (União), Marcos Rogério (PL), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB). O debate foi mediado pelo jornalista Júlio Mosquera e teve quatro blocos, sendo dois de tema livre e dois com assuntos previamente definidos pela produção. No encerramento, cada candidato teve um minuto para as considerações finais.
Hildon leva experiência da Prefeitura de Porto Velho para o debate
Um dos elementos que marcaram a participação de Hildon Chaves foi a utilização de sua experiência como ex-prefeito da capital para responder aos questionamentos dos adversários. Ao longo da noite, o candidato recorreu a números e ações atribuídas aos dois mandatos à frente da Prefeitura de Porto Velho para sustentar suas propostas para o Estado.
No confronto com Expedito Netto sobre educação, Hildon afirmou que encontrou a capital com apenas 30% das crianças na idade adequada alfabetizadas e declarou que o índice chegou a 95% ao final de sua administração. Também citou a Faculdade da Prefeitura, programa que, segundo ele, beneficiou estudantes oriundos da rede pública e famílias com renda de até três salários mínimos. A proposta apresentada foi levar uma experiência semelhante para o âmbito estadual.
A estratégia de apresentar resultados da gestão municipal também apareceu quando o assunto passou para obras e infraestrutura. Hildon afirmou ter encontrado empreendimentos paralisados ao assumir a Prefeitura e disse ter atuado, inclusive junto à Frente Nacional de Prefeitos, para viabilizar a retomada de obras. Entre os exemplos citados esteve a entrega de 1,2 mil apartamentos que, segundo ele, estavam paralisados havia mais de 15 anos.
Saneamento coloca Hildon frente a frente com Samuel
Um dos momentos mais diretos da noite ocorreu quando Samuel Costa questionou Hildon sobre a situação do saneamento básico em Porto Velho após os dois mandatos do ex-prefeito.
Hildon reconheceu que o problema permanece como um dos grandes desafios da capital e afirmou que sua administração iniciou uma tentativa de parceria público-privada para enfrentar a questão. Segundo ele, uma solução para Porto Velho exigiria cerca de R$ 2,5 bilhões e a participação de parceiros.
Samuel apresentou posição diferente. O candidato defendeu o fortalecimento da Caerd, a realização de concurso público e se posicionou contra a transferência do serviço para a iniciativa privada. O confronto colocou em lados distintos duas propostas para um dos problemas estruturais mais antigos do estado.
Ao responder, Hildon também fez uma crítica ao conjunto das propostas apresentadas durante o debate. “Hoje, neste evento, todo mundo tem solução para absolutamente tudo”, afirmou.
Embate com Fúria retoma discussão sobre estradas
Hildon também protagonizou um dos confrontos mais incisivos da noite com Adailton Furia. O tema era a pavimentação de rodovias estaduais, mas a discussão rapidamente passou pelo histórico administrativo dos dois candidatos.
Questionado por Furia sobre quais estradas pretendia pavimentar nos primeiros anos de um eventual governo, Hildon respondeu destacando sua experiência na administração municipal e afirmou ter executado 820 quilômetros de asfalto em Porto Velho.
Na resposta, fez referência ao episódio envolvendo o chamado “rejeito de asfalto”, assunto que já havia aparecido no debate da SIC TV. Furia, por sua vez, apresentou números de sua administração em Cacoal e afirmou ter pavimentado mais de 230 ruas e avenidas, além de obras de drenagem.
Na tréplica, Hildon voltou a questionar as promessas apresentadas pelos adversários e afirmou que Furia não teria realizado, em seu município, o volume de asfaltamento que considerava necessário. Furia contestou a abordagem e sustentou os resultados de sua gestão.
O episódio mostrou uma característica que atravessou boa parte do debate: os candidatos não ficaram apenas nas propostas para um eventual governo, mas utilizaram suas experiências anteriores como argumento para defender ou questionar a capacidade administrativa dos adversários.
Saúde e educação entram no centro das discussões
A saúde também ocupou espaço importante no encontro. Em uma das rodadas, Hildon questionou Expedito Netto sobre suas propostas para o setor. O candidato do PT defendeu a interiorização dos serviços de saúde e citou municípios como Cacoal, Vilhena e Guajará-Mirim.
A discussão avançou para investimentos em obras e recursos federais. Expedito destacou a participação da União em financiamentos e obras, enquanto Hildon respondeu citando projetos que, segundo ele, estavam paralisados quando assumiu a Prefeitura de Porto Velho e que posteriormente foram retomados.
A educação apareceu principalmente no confronto entre os dois. Expedito questionou Hildon sobre posicionamentos políticos, mas o ex-prefeito preferiu direcionar a resposta para resultados administrativos e programas implantados durante sua passagem pela capital.
Segurança pública expõe diferenças entre candidatos
A segurança pública também provocou discussões sobre efetivo policial, concursos e orçamento.
Pedro Abib defendeu a ampliação do número de servidores, investimentos em inteligência e integração das forças de segurança. Segundo ele, seria necessário reorganizar as contas estaduais antes de abrir espaço para novos concursos.
Marcos Rogério apresentou outra abordagem. O candidato afirmou que pretende rever despesas consideradas desnecessárias, citando diárias, viagens e contratos, com o objetivo de abrir espaço fiscal para investimentos e contratação de policiais.
Furia também defendeu concurso para a Polícia Militar, valorização dos servidores e gratificações para integrantes das forças de segurança. O tema colocou em evidência diferentes caminhos apresentados pelos candidatos para ampliar a estrutura de segurança do Estado.
Agronegócio, meio ambiente e regularização fundiária geram novos embates
A realidade de Rondônia como estado fortemente ligado à produção rural apareceu em diferentes momentos. Industrialização, agricultura, regularização fundiária e preservação ambiental estiveram entre os assuntos discutidos.
Pedro Abib defendeu maior processamento dos produtos produzidos em Rondônia antes da comercialização, citando soja, cacau e café. Hildon concordou com parte da proposta, mas aproveitou o momento para questionar o excesso de promessas que, segundo ele, costuma marcar períodos eleitorais.
Já Furia protagonizou confrontos sobre regularização fundiária com Marcos Rogério e Pedro Abib. A discussão passou pela transferência de competências de Brasília para Rondônia, pela emissão de títulos e pelas condições enfrentadas pelos produtores rurais.
Marcos Rogério defendeu a criação de uma estrutura estadual para acelerar a regularização. Furia questionou por que o problema ainda não teria sido resolvido diante da experiência de Marcos no Congresso. O senador respondeu que pretende dar ao Executivo estadual maior protagonismo no processo.
No debate sobre infraestrutura, os dois também divergiram sobre a utilização de uma linha de crédito de R$ 1 bilhão. Furia defendeu que parte dos recursos fosse destinada à compra de máquinas, usinas de asfalto e reestruturação do DER, enquanto Marcos Rogério afirmou que o financiamento deveria permanecer voltado às obras.
Confrontos mostram diferentes caminhos para Rondônia
A noite também foi marcada por embates entre Expedito Netto e Marcos Rogério, além de confrontos envolvendo Samuel Costa, Furia e Pedro Abib. As discussões passaram por orçamento, administração pública, segurança, meio ambiente, saúde e infraestrutura.
Marcos Rogério sustentou durante o debate que pretende reorganizar a máquina pública e rever contratos para direcionar recursos para áreas como saúde, segurança, estradas e serviços públicos. Expedito o questionou sobre uma transação envolvendo cheque e dinheiro em espécie. Marcos afirmou que não havia irregularidade e que a operação estava declarada e registrada nos documentos citados por ele.
Samuel Costa, por sua vez, concentrou parte das intervenções em críticas à estrutura administrativa e aos grupos políticos tradicionais. O candidato também protagonizou o confronto com Hildon sobre saneamento e questionamentos a Furia na área de segurança.
No encerramento, o tom ficou mais ameno. Os candidatos utilizaram o último minuto para apresentar mensagens aos eleitores e reforçar suas principais bandeiras. Hildon voltou a destacar sua experiência na Prefeitura de Porto Velho e encerrou afirmando: “Eu sei fazer, eu sei o que precisa ser feito”.
Debate coloca eleitor diante das escolhas para o futuro do Estado
Mais do que uma sucessão de acusações, o encontro serviu para expor ao eleitor diferentes visões sobre problemas que ultrapassam os palanques e chegam diariamente à vida da população. A falta de saneamento, as dificuldades na saúde, a segurança nas ruas, as condições das estradas, a regularização das propriedades rurais e o futuro do agronegócio são questões que continuarão na pauta independentemente do resultado das urnas.
Com o primeiro turno cada vez mais próximo, os seis candidatos tiveram a oportunidade de mostrar não apenas o que pretendem fazer, mas também como pretendem administrar um Estado que reúne desafios de dimensões muito diferentes. No fim da noite, entre propostas, cobranças e respostas, ficou para o eleitor a tarefa de observar os argumentos, comparar experiências e decidir, nas urnas, qual projeto considera mais alinhado ao futuro que deseja para Rondônia.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/G1 – Globo













