Presidente da Câmara afirma que Casa busca equilíbrio entre diferentes agendas e destaca relação transparente com o Senado.
Em meio a um cenário político marcado por polarização, críticas e instabilidade, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a atuação do Congresso Nacional. Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (3), ele rejeitou a ideia de que a Casa estaria refém de pautas radicais e reafirmou o compromisso em avançar em projetos considerados prioritários pela sociedade.
O Congresso diante da polarização
Hugo destacou que não considera justas as avaliações de que o Legislativo estaria condicionado à radicalização. Segundo ele, os temas mais polêmicos acabam repercutindo mais, mas a Câmara continua debatendo pautas relevantes para diferentes setores da sociedade. “Temos um Congresso que tem procurado debater pautas importantes para a sociedade, apesar de toda essa polarização política. Eu não acho que sejam justas algumas avaliações que dizem que o Congresso está preso a essa agenda de radicalização. Isso acaba sendo o que repercute mais”, afirmou.
O presidente da Câmara observou ainda que o Brasil vive um momento de instabilidade, citando julgamentos do STF, o início da construção de candidaturas para as eleições e tensões internacionais, como as sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo. Esse contexto torna a missão do Parlamento ainda mais desafiadora, exigindo equilíbrio entre diferentes interesses.
Relação com o Senado e o bicameralismo
Questionado sobre a relação com o Senado, Hugo afirmou que ela deve ser sempre franca, transparente e respeitosa, destacando que cada Casa tem suas particularidades. Ele comentou a rejeição da PEC da Blindagem no Senado, proposta que visava ampliar a proteção de parlamentares na Justiça e foi aprovada na Câmara, mas barrada por unanimidade na CCJ da Casa Alta.
“O sistema bicameral foi feito para que a opinião de uma Casa tenha que ser confirmada por outra. Isso fortalece o processo legislativo e amplia o debate democrático”, disse Hugo, ressaltando que mantém boa relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Prioridade para segurança pública
Após manifestações e críticas à PEC da Blindagem e ao PL da Anistia, Hugo anunciou a decisão de priorizar pautas de maior relevância social, com destaque para a segurança pública. A Câmara aprovou a urgência para tramitação de um pacote de oito projetos relacionados ao tema. Entre as medidas estão o aumento de penas em casos de homicídio e lesão contra agentes de segurança, mudanças na Lei das Organizações Criminosas, criação do crime de obstrução de justiça, tipificação do “domínio de cidades” e mecanismos de cooperação entre órgãos de fiscalização e o Judiciário.
Também foram incluídas medidas para destinar recursos de jogos de aposta online à segurança pública e acelerar processos de prisão em flagrante. Hugo projeta a aprovação da PEC da Segurança Pública até o final deste ano, com integração entre sistemas municipais, estaduais e federal no enfrentamento ao crime organizado.
Um Congresso que busca equilíbrio e resultados
As declarações de Hugo Motta mostram um Legislativo que tenta responder às demandas da sociedade, mesmo diante de críticas e polarização. Entre recuos estratégicos, derrotas no Senado e prioridades de consenso, a Câmara busca se reposicionar como um espaço plural, capaz de conciliar diferenças e avançar em projetos de impacto real para a população. O desafio é grande, mas a mensagem é clara: a democracia se fortalece quando debate, equilíbrio e ação concreta caminham juntos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













