Presidente intensifica ações voltadas a renda, custo de vida e comunicação popular a 17 dias do primeiro turno; pesquisas recentes mostram disputa mais apertada entre petista e candidato do PL.
A reta final antes do primeiro turno começa a ganhar novos contornos na campanha presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a antecipar medidas e ações de comunicação que, segundo informações de bastidores da campanha, estavam sendo planejadas para uma etapa posterior da disputa.
A movimentação ocorre em meio ao crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas e à redução da distância entre os dois principais candidatos. Levantamento Quaest divulgado em 14 de setembro mostrou Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio. No cenário de segundo turno, o candidato do PL apareceu numericamente à frente, com 42%, enquanto Lula registrou 40%.
Bolsa Família e foco no bolso do eleitor
Uma das principais medidas anunciadas nesta quinta-feira (17) foi o reajuste do Bolsa Família. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, aumento de 15,04%, enquanto o valor médio chegará a R$ 777. O pagamento com os novos valores começa em outubro. O governo afirma que a correção recompõe a inflação acumulada desde 2023 e preserva o poder de compra das famílias atendidas.
A medida também passou a ser analisada sob a perspectiva eleitoral. A proximidade com o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, fez com que o anúncio fosse interpretado por analistas e adversários como parte de uma estratégia para aproximar o governo dos eleitores de menor renda.
Na campanha petista, a comunicação passou a priorizar temas como preço dos alimentos, renda e poder de compra, em uma tentativa de levar a disputa para questões mais diretamente relacionadas ao cotidiano da população e reduzir o espaço ocupado pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Apoios e aproximação com setores populares
Outra frente antecipada foi a divulgação de um vídeo com artistas declarando apoio à candidatura de Lula. Entre os nomes citados estão Caetano Veloso, Gilberto Gil, Malu Mader e Xamã.
O presidente também planeja participar do podcast apresentado pelo cantor Mano Brown, que recentemente fez críticas ao distanciamento do petista em relação a determinados setores da sociedade. A estratégia busca ampliar a comunicação com públicos que tradicionalmente fazem parte da base eleitoral do PT.
Dentro da campanha, aliados também defendem uma presença maior de Lula em agendas populares, com viagens, encontros e atividades fora do ambiente institucional do Palácio do Planalto.
Bets e renegociação de dívidas
Outra medida em preparação é uma nova medida provisória para aumentar as restrições às casas de apostas esportivas, as chamadas bets. Segundo informações divulgadas pela CNN, o governo pretende encaminhar o texto ao Congresso na próxima semana, utilizando uma MP para permitir efeitos imediatos. O conteúdo ainda está em discussão.
Lula já havia afirmado, no início de setembro, que pessoalmente defenderia o fim das bets e que pretendia tomar uma decisão considerada mais rigorosa sobre o setor.
A campanha também avalia um novo programa de refinanciamento de dívidas familiares. Entre as propostas defendidas por integrantes do campo governista está ainda a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 7 mil em um eventual novo mandato.
Pesquisas mostram disputa mais apertada
O movimento ocorre em um cenário eleitoral diferente do observado em levantamentos anteriores. Na pesquisa Quaest realizada entre 10 e 13 de setembro, Lula registrou 36% no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, porém, Flávio apareceu com 42%, diante de 40% de Lula. Foram entrevistadas 2.004 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Já o Datafolha, divulgado em 17 de setembro, apresentou outro cenário para uma eventual segunda rodada: Lula com 46% e Flávio com 44%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre os dias 15 e 17 de setembro.
Os números mostram uma disputa mais próxima na comparação com levantamentos anteriores, mas pesquisas diferentes, realizadas em períodos distintos e com metodologias próprias, não devem ser tratadas como uma previsão do resultado da eleição.
Estratégia para a reta final
A antecipação das medidas coloca renda, consumo, benefícios sociais e custo de vida no centro da comunicação petista nesta fase da campanha. A intenção declarada pelo governo é defender ações voltadas à população e à preservação do poder de compra, enquanto a leitura de integrantes da campanha é de que esses temas podem ampliar a conexão de Lula com o eleitorado.
A poucos dias do primeiro turno, a campanha presidencial entra, assim, em uma fase marcada pela intensificação das agendas, pela disputa de narrativas e pela tentativa de aproximar os candidatos das preocupações mais concretas do eleitor. Com pesquisas apontando cenários distintos e diferenças estreitas entre Lula e Flávio em uma eventual segunda etapa, cada movimento passa a ter peso maior na comunicação eleitoral.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Notícias R7













