Presidente perguntou a ministros e ex-ministros sobre Alfredo Gaspar e ouviu avaliações sobre a escolha do candidato e possíveis impactos da chapa na disputa pelo Planalto.
A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou a atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante uma reunião realizada nesta quarta-feira (12), Lula pediu a ministros e ex-ministros informações sobre o parlamentar e quis entender melhor como ocorreu a escolha do nome para compor a chapa presidencial.
Segundo relatos obtidos pela CNN, o presidente afirmou conhecer pouco Gaspar e questionou principalmente a origem da indicação. Auxiliares disseram que a escolha teria sido resultado de uma articulação entre a cúpula do PL e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).
Governo avalia impacto da chapa
Durante a conversa, integrantes do governo avaliaram que, até o momento, a composição da chapa adversária não representa uma preocupação significativa para o entorno de Lula.
O cenário, no entanto, foi analisado sob diferentes perspectivas, incluindo a possibilidade de a oposição ampliar o uso de temas relacionados ao governo e à família do presidente durante a campanha eleitoral.
Entre os assuntos citados esteve o caso envolvendo Lulinha, filho de Lula, que vem sendo discutido na CPMI do INSS. Segundo os auxiliares, existe a avaliação de que a oposição poderá utilizar o episódio para tentar atingir diretamente o presidente durante a disputa.
Acusação contra Alfredo Gaspar também entrou na conversa
Outro assunto levado à reunião foi a acusação de estupro de vulnerável envolvendo Alfredo Gaspar. O caso já é alvo de apuração e voltou ao debate político após a escolha do deputado para integrar a chapa de Flávio Bolsonaro.
De acordo com interlocutores de Lula, a acusação deverá ser explorada pela campanha petista durante a corrida eleitoral.
A discussão mostra como a escolha do vice passou rapidamente a fazer parte da estratégia dos dois lados da disputa. Enquanto o grupo de Flávio busca consolidar a composição da chapa e ampliar sua presença eleitoral, aliados de Lula já analisam quais pontos poderão ser utilizados para atacar politicamente os adversários.
A corrida presidencial ainda está em fase inicial, mas as movimentações nos bastidores mostram que as campanhas já começaram a mapear não apenas seus próprios candidatos, mas também o histórico, as alianças e os pontos de maior vulnerabilidade dos adversários. Em uma eleição que promete ser marcada por forte polarização, cada nome escolhido para uma chapa pode carregar consigo uma história capaz de ganhar espaço no debate público.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/G1 – Globo













