Capital já registrou 146 ocorrências de focos de incêndio entre julho e agosto, com maior concentração na zona Leste; além de destruir o meio ambiente, fumaça agrava problemas respiratórios.
O céu coberto de fumaça, o cheiro de queimado e o calor cada vez mais intenso já fazem parte da rotina de muitos moradores de Porto Velho neste período do ano. Enquanto a estiagem avança e a umidade do ar cai, o risco de incêndios aumenta e transforma o combate às queimadas em uma corrida contra o tempo para proteger não apenas as áreas verdes, mas também a saúde e a vida da população.
Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) intensificou as ações de prevenção, fiscalização, conscientização e combate aos incêndios. Entre julho e agosto, foram registradas 146 ocorrências de focos de incêndio atendidas pelas equipes, com a zona Leste concentrando o maior número de registros.
Seca e calor aumentam risco de incêndios
Porto Velho atravessa um dos períodos mais críticos do verão amazônico, marcado por temperaturas elevadas, baixa umidade e condições de estiagem que favorecem a rápida propagação das chamas.
A Sema mantém ações de educação ambiental desde abril e também tem notificado proprietários de terrenos para que realizem a limpeza adequada das áreas. No combate direto ao fogo, a secretaria conta com Brigadistas Municipais, integrantes de uma Organização da Sociedade Civil (OSC), que atuam na prevenção e no controle dos incêndios.
O trabalho busca impedir que pequenos focos se transformem em incêndios de maiores proporções, capazes de atingir áreas de vegetação, imóveis e regiões habitadas.
Fumaça também ameaça a saúde
O problema das queimadas vai muito além da destruição ambiental. A fumaça liberada pelos incêndios aumenta a poluição do ar e pode agravar doenças respiratórias, afetando principalmente pessoas mais vulneráveis.
Animais silvestres também sofrem com os incêndios. As chamas podem provocar ferimentos, obrigar espécies a abandonar seus habitats e, em casos mais graves, provocar a morte de animais que dependem das áreas verdes para sobreviver.
O período de seca torna o cenário ainda mais preocupante, já que a vegetação ressecada funciona como combustível para a propagação rápida do fogo.
Prefeitura pede participação da população
O prefeito Léo Moraes destacou que o enfrentamento às queimadas não depende apenas da atuação das equipes municipais, mas também da colaboração dos moradores.
“Estamos reforçando as ações de prevenção e combate às queimadas para proteger a população e o nosso meio ambiente. Mas esse é um trabalho que precisa da participação de todos. Cada pessoa pode contribuir evitando o uso do fogo e denunciando situações de risco. Juntos, conseguimos reduzir os incêndios e preservar a qualidade de vida em Porto Velho”, afirmou.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Borin, também reforçou a necessidade de uma atuação conjunta durante o período mais delicado do ano.
“Estamos no período mais crítico do ano para a ocorrência de queimadas, com o agravamento causado pelo El Niño, que intensifica a seca e as altas temperaturas. Nossas equipes estão em campo, atuando na prevenção, na fiscalização e no combate direto aos incêndios”, afirmou.
Segundo Borin, a população tem papel fundamental nesse trabalho. Ele reforçou a importância de denunciar queimadas e evitar o uso do fogo para limpeza de terrenos.
Como denunciar queimadas
Em caso de incêndio ou situação que represente risco imediato, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
A Sema também recebe denúncias pelo aplicativo PVH+ e pelo WhatsApp (69) 98423-4092. Pelos canais, os moradores podem encaminhar fotos, vídeos e a localização exata do foco de incêndio, facilitando a chegada das equipes ao local.
A Prefeitura alerta que queimadas irregulares são consideradas crime e que a fiscalização será intensificada para identificar e responsabilizar quem insistir na prática.
Quando o fogo começa em um terreno, talvez pareça apenas uma pequena chama, mas seus efeitos podem alcançar muito mais longe. A fumaça chega às casas, o ar que todos respiram fica comprometido e animais perdem seus espaços de sobrevivência. Em um período em que a natureza já enfrenta os efeitos da seca, evitar uma queimada é mais do que preservar o meio ambiente: é um gesto de cuidado com a própria cidade, com quem vive nela e com as futuras gerações.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Sema – PMPV












