Presidente da República queria avançar com um calendário para votar a proposta ainda antes do primeiro turno das eleições, mas presidente do Senado prefere discutir o tema somente após o segundo turno.
A expectativa era de que a reunião abrisse caminho para uma das discussões trabalhistas mais aguardadas dos últimos meses, mas o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), terminou sem acordo sobre a votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1.
Lula esperava conseguir avançar na definição de um calendário para a análise da proposta, mas não houve consenso durante a conversa desta quarta-feira (12). O tema deverá voltar à mesa em uma nova reunião, prevista para ocorrer até o fim deste mês.
Lula quer votação antes das eleições
O presidente da República defende que a PEC seja votada durante o esforço concentrado do Senado, ainda antes do primeiro turno das eleições presidenciais. A estratégia busca acelerar a tramitação de uma proposta que envolve diretamente a jornada de trabalho de milhões de brasileiros.
Alcolumbre, porém, prefere deixar a discussão para novembro, depois da conclusão do segundo turno presidencial. A diferença de posição acabou impedindo que os dois chegassem, neste momento, a um entendimento sobre um calendário de votação.
Encontro teve acenos políticos
Apesar do impasse em torno da escala 6×1, Lula e Alcolumbre fizeram acenos mútuos de apoio e demonstraram disposição para manter o diálogo político e legislativo.
Os assuntos considerados mais sensíveis, entretanto, ficaram pendentes e deverão ser retomados em uma nova conversa entre os dois.
Durante o encontro, Alcolumbre também não sinalizou que pretende declarar apoio à reeleição de Lula. O presidente ainda aguarda uma manifestação do senador, em meio ao esforço para melhorar a relação política entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.
Debate continua em aberto
Sem um acordo sobre datas, a proposta que pretende acabar com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso continua sem um calendário definido para votação no Senado.
Para os trabalhadores que acompanham a discussão, a indefinição significa que uma mudança capaz de alterar profundamente a rotina de milhões de brasileiros ainda depende de uma negociação política que permanece em aberto.
Enquanto Lula tenta acelerar o debate e Alcolumbre defende esperar o fim das eleições, a escala 6×1 segue no centro de uma disputa que mistura direitos trabalhistas, articulação política e o calendário eleitoral. E, por enquanto, a decisão sobre quando o Congresso vai enfrentar o tema ficou para a próxima conversa.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













