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Lula retoma campanha e prioriza candidatos petistas que disputam o segundo turno

Presidente começa nova etapa de viagens pelo Distrito Federal e Rio Grande do Norte, onde petistas tentam conquistar governos estaduais em disputas acirradas.

A segunda etapa da corrida eleitoral começa a mudar a rotina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de alguns dias concentrado em reuniões em Brasília e de afirmar a aliados que estava em uma espécie de “pausa para hidratação”, o presidente decidiu voltar às ruas e colocar sua força política à disposição de candidatos petistas que ainda disputam o segundo turno.

A retomada das atividades de campanha começa nesta sexta-feira (9), no Distrito Federal, e segue no sábado (10), no Rio Grande do Norte. A estratégia marca uma mudança no ritmo adotado durante o primeiro turno, quando Lula dividiu os compromissos eleitorais com a agenda institucional da Presidência da República.

Lula começa pelo Distrito Federal

A primeira agenda está marcada para Ceilândia, região mais populosa do Distrito Federal. Lula participará de uma caminhada ao lado de Leandro Grass (PT), que disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão (PP).

Grass terminou o primeiro turno com 34,47% dos votos, enquanto Celina Leão alcançou 49,93%. Apesar da diferença registrada na primeira etapa, o segundo turno reinicia a disputa e coloca novamente os dois candidatos diante dos eleitores.

A presença de Lula é vista pela campanha petista como uma forma de reforçar a mobilização e ampliar a presença de Grass junto ao eleitorado. O presidente também busca transformar sua participação em uma demonstração de unidade do partido neste momento decisivo.

Rio Grande do Norte terá segundo ato

No sábado (10), Lula segue para Natal, no Rio Grande do Norte, onde participará de uma passeata em apoio a Cadu de Lula (PT).

O candidato petista terminou o primeiro turno com 36,16% dos votos, em uma disputa extremamente apertada contra Alysson Bezerra (União), que obteve 36,94%. A diferença entre os dois foi de apenas 0,78 ponto percentual.

A proximidade do resultado faz do Rio Grande do Norte um dos palcos importantes da segunda etapa, e a presença do presidente pretende reforçar a campanha de Cadu justamente em uma disputa que começou praticamente empatada.

Campanha passa por mudanças

A retomada das viagens acontece paralelamente a uma reorganização da campanha presidencial de Lula. O ex-ministro e ex-governador da Bahia Rui Costa passou a reforçar a equipe responsável pelas agendas do segundo turno.

Na primeira etapa, o ex-ministro Gilberto Carvalho teve papel de destaque na coordenação das atividades. Agora, diante de um cenário eleitoral diferente do esperado pelo grupo petista, a campanha pretende ampliar a presença do presidente nas ruas e rever estratégias de comunicação.

Lula também deve intensificar as viagens pelo país e ampliar a utilização das redes sociais. No primeiro turno, o presidente buscou conciliar os compromissos eleitorais com as responsabilidades à frente do Palácio do Planalto, defendendo que sua prioridade continuava sendo governar.

Presidente reconhece problemas na campanha

Em reunião com parlamentares nesta quarta-feira (8), Lula fez uma avaliação crítica da campanha realizada no primeiro turno e atribuiu parte do resultado à falta de organização na mobilização do partido.

O presidente afirmou que a campanha ficou abaixo do potencial que considerava possível e fez uma comparação com sua própria trajetória eleitoral.

“Nós temos uma classe trabalhadora que não quer carteira, que quer trabalhar por conta própria. Temos que lidar com isso. Fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu disse para o Edinho [Silva, presidente do PT] que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 e a gente colhe o que planta”, afirmou.

A declaração sinaliza que o segundo turno será acompanhado por uma revisão de estratégias dentro do PT, especialmente na comunicação com segmentos do eleitorado e na mobilização para levar os apoiadores às urnas.

Novo momento exige mais presença nas ruas

A mudança de ritmo acontece em um momento em que Lula precisa reorganizar sua campanha presidencial e, ao mesmo tempo, apoiar candidatos do partido que permanecem na disputa em diferentes regiões do país.

A estratégia de priorizar os palanques petistas também demonstra que a segunda etapa da eleição não será disputada apenas pela Presidência. Governos estaduais que ficaram para o segundo turno passam a integrar a agenda dos principais líderes nacionais, transformando cada caminhada, encontro e ato político em uma oportunidade de mobilização.

Depois de uma primeira etapa marcada por uma disputa presidencial apertada e por resultados que redesenharam o mapa político do país, Lula volta às ruas com uma agenda mais concentrada e um desafio adicional: recuperar espaço, fortalecer seus aliados e dialogar com um eleitorado que agora terá diante de si uma escolha ainda mais decisiva. A partir de agora, cada cidade visitada, cada aliança construída e cada mensagem transmitida poderá ganhar um peso diferente na reta final até 25 de outubro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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