Soltura de Monique Medeirosocorre após adiamento do júri; Ministério Público promete recorrer.
A saída de Monique Medeiros da prisão, na noite de segunda-feira, 23 de março, reacendeu uma dor que ainda não cicatrizou na memória do país. O caso do menino Henry Borel, marcado por violência e indignação, volta ao centro das atenções com uma decisão que mistura questões jurídicas e emoção coletiva.
Monique, acusada de homicídio por omissão na morte do próprio filho, deixou a penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, e já está em casa. A soltura foi determinada pela juíza Elizabeth Machado Louro, do 2º Tribunal do Júri, após o adiamento do julgamento do caso.
Decisão baseada em possível excesso de prazo
A magistrada aceitou o pedido da defesa ao entender que a manutenção da prisão poderia configurar excesso de prazo, já que o julgamento foi remarcado. O júri, que estava prestes a começar, acabou sendo adiado para o dia 25 de maio.
A interrupção ocorreu após a defesa de Jairo dos Santos Júnior, padrasto de Henry e também réu no processo, alegar falta de acesso a provas. Mesmo com o pedido negado, os advogados abandonaram o plenário, o que levou à suspensão da sessão.
Juíza critica conduta da defesa
Na decisão, a juíza foi enfática ao criticar a postura dos advogados, classificando a atitude como uma afronta ao funcionamento da Justiça. Segundo ela, o abandono do plenário feriu princípios fundamentais do julgamento e prejudicou todas as partes envolvidas.
Para a magistrada, a situação resultou em uma interrupção indevida do processo e violou o direito a um julgamento em tempo razoável, tanto dos acusados quanto da família da vítima.
Ministério Público vai recorrer
O Ministério Público do Rio de Janeiro também se manifestou com firmeza. A promotoria criticou a conduta da defesa de Jairinho, classificando o episódio como mais uma tentativa de tumultuar o andamento do processo.
O órgão informou que irá recorrer da decisão que determinou a soltura de Monique, mantendo o embate jurídico ativo e o caso ainda longe de um desfecho definitivo.
Um crime que chocou o país
O caso remonta a março de 2021, quando Henry Borel morreu no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca. Inicialmente, o episódio foi apresentado como um acidente doméstico.
No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal revelou um cenário brutal: a criança apresentava 23 lesões provocadas por ação violenta, incluindo laceração no fígado e hemorragia interna.
As investigações da Polícia Civil apontaram que o menino sofria agressões frequentes e que Jairo dos Santos Júnior seria o responsável direto pelas violências, com a mãe tendo ciência das agressões.
Entre a Justiça e a memória
Presos desde abril de 2021, os réus respondem por crimes graves. Jairinho é acusado de homicídio qualificado, enquanto Monique responde por omissão, por não impedir as agressões que levaram à morte do filho.
A decisão do dia 23 de março, embora baseada em aspectos legais, reacende um debate delicado sobre justiça, responsabilidade e tempo. Porque, para além dos autos e dos ritos processuais, permanece uma ausência impossível de ignorar.
No fim, o que fica é a lembrança de uma vida interrompida cedo demais e a esperança de que, em meio a tantas idas e vindas, a Justiça consiga, enfim, dar uma resposta que faça sentido não apenas para os tribunais, mas também para a sociedade que ainda clama por respostas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/PCRJ













