Levantamento divulgado em 31 de março de 2026 cita ao menos oito deslocamentos; gabinete classifica informações como falsas.
Em meio a um cenário já marcado por tensões institucionais e disputas narrativas, uma nova reportagem colocou no centro do debate o uso de aeronaves privadas por uma das figuras mais influentes do Judiciário brasileiro. O caso rapidamente ganhou repercussão e provocou reações firmes.
Segundo publicação divulgada na terça-feira, 31 de março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, teria utilizado ao menos oito voos em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro entre maio e outubro de 2025.
Ministro nega e classifica informações como falsas
Em nota oficial, o gabinete de Moraes negou categoricamente as informações e afirmou que o conteúdo da reportagem é “fantasioso” e baseado em ilações.
De acordo com a manifestação, o ministro jamais utilizou aeronaves pertencentes a Vorcaro, tampouco teria viajado com ele ou com Fabiano Zettel, citado na reportagem.
A negativa também reforça que não há qualquer relação entre Moraes e os nomes mencionados.
Dados cruzados e detalhes dos voos
A reportagem afirma que os supostos voos foram identificados a partir do cruzamento de informações de órgãos como a Anac, o Decea e o Registro Aeronáutico Brasileiro.
Segundo o levantamento, sete dos oito deslocamentos teriam sido realizados em aeronaves da empresa Prime Aviation, ligada ao compartilhamento de bens de luxo, da qual Vorcaro seria sócio por meio de um fundo patrimonial.
O oitavo voo, ainda conforme a publicação, teria ocorrido em agosto de 2025, em uma aeronave Falcon 2000 pertencente a uma empresa sem autorização para operar como táxi aéreo.
Esposa do ministro também se manifesta
O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, também se posicionou sobre o caso.
Em nota, afirmou que utiliza regularmente serviços de táxi aéreo, incluindo empresas como a Prime Aviation, sempre com base em critérios operacionais e sem qualquer vínculo com os proprietários das aeronaves.
O escritório destacou ainda que, nos voos contratados, não houve presença de Vorcaro ou de Fabiano Zettel, e que nenhum integrante mantém qualquer tipo de relação ou contato com os citados.
Contexto e repercussão
O caso ganha ainda mais relevância por envolver Daniel Vorcaro, que foi preso após se entregar à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura irregularidades financeiras.
Diante de versões opostas e de um tema sensível, o episódio reforça como a transparência e a credibilidade das instituições seguem no centro das atenções. Em tempos de desconfiança e polarização, cada informação ganha peso ampliado e exige cautela, responsabilidade e apuração rigorosa. Porque, no fim, mais do que esclarecer fatos, é a confiança pública que está em jogo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Revista Oeste













