Sua música, força e legado atravessaram gerações e agora nos deixam um silêncio carregado de saudade
É com um peso no peito e uma melodia que parece ecoar ainda mais forte no ar que recebemos a notícia da morte de Jimmy Cliff, aos 81 anos, através da sua conta oficial no Instagram, nesta segunda-feira (24).
Um artista que não só dançou com a história do reggae, mas ajudou a construí-la, parte para além das fronteiras físicas, deixando suas canções, sua voz e sua esperança para sempre.
O anúncio e a despedida da família
A confirmação da morte de Jimmy Cliff veio em um post oficial de sua conta no Instagram. A mensagem, assinada por sua esposa, Latifa, diz:
“É com profunda tristeza que compartilho a notícia de que meu marido, Jimmy Cliff, morreu devido a uma convulsão seguida de pneumonia. Sou grata à sua família, amigos, colegas artistas e de trabalho que compartilharam essa jornada com ele.
A todos os seus fãs ao redor do mundo: saibam que o apoio de vocês foi a força dele durante toda a sua carreira. Ele realmente apreciava o carinho de cada um dos fãs. Também quero agradecer ao Dr. Couceyro e a toda a equipe médica, que foram extremamente atenciosos e prestativos durante esse processo tão difícil. Jimmy, meu querido, que você descanse em paz. Seguirei seus desejos. Peço que todos respeitem nossa privacidade neste momento difícil. Mais informações serão divulgadas depois. Até logo, lenda.”
A nota também foi assinada pelos filhos dele, Lilty e Aken.
O legado de um gigante do reggae
Jimmy Cliff, nascido James Chambers, em Saint James, na Jamaica, se tornou uma figura central na história do reggae. Com mais de seis décadas de carreira, ele lançou mais de 30 álbuns e participou ativamente da popularização mundial do gênero.
Um de seus momentos mais marcantes foi como ator no filme “The Harder They Come” (1972), obra cult que se tornou um símbolo do reggae e da cultura jamaicana. Entre seus sucessos, estão canções imortais como “Many Rivers to Cross”, “You Can Get It If You Really Want” e a versão de “I Can See Clearly Now”.
Reconhecimento e prêmios
Jimmy Cliff não conquistou fama apenas por sua voz inconfundível, mas também por sua relevância histórica. Ele ganhou dois Grammy Awards (por Cliff Hanger em 1985 e Rebirth em 2013), foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 2010, e recebeu a Order of Merit da Jamaica, uma de suas maiores honrarias.
Seu impacto no Brasil e no mundo
Jimmy Cliff conquistou fãs no mundo tod: inclusive no Brasil. Ele manteve uma relação especial com o país: viveu momentos intensos em Salvador e no Rio de Janeiro, e sua música ressoou fortemente nas vozes brasileiras.
Mais do que isso, ele foi uma ponte entre gerações, entre lutas, entre ritmos: sua música falava de resistência, amor, fé e transformação. Era festa, mas também denúncia; era leveza, mas tinha profundidade.
Enquanto sentimos a perda, é impossível não celebrar também tudo o que Jimmy Cliff significou: um homem que transformou dor em melodia, que atravessou rios (muitos deles metafóricos) e nos ensinou a persistir, a sonhar, a acreditar que “se você realmente quiser, você consegue”.
Agora, só nos resta escutar de novo suas músicas com o coração mais apertado e agradecido por ele ter sido. Até breve, lenda. Você vai sempre brilhar.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Instagram













