Cleuton Gomes Pereira chegou à unidade de segurança máxima na segunda-feira (13) para interromper a atuação criminosa mesmo de dentro do cárcere.
A transferência de um dos mais perigosos líderes do crime organizado do Espírito Santo para Rondônia reforça a complexa batalha travada pelo Estado brasileiro contra as facções. Em uma operação estratégica, a inclusão do detento no sistema penitenciário federal representa não apenas uma medida de segurança, mas também um passo decisivo na tentativa de enfraquecer estruturas criminosas que desafiam as instituições e ameaçam a sociedade.
Atendendo a um pedido do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, a Justiça determinou a transferência de Cleuton Gomes Pereira para o sistema penitenciário federal. O deslocamento foi efetivado na segunda-feira (13), com destino ao Presídio Federal de Porto Velho, uma das unidades de segurança máxima do país.
Investigado mesmo atrás das grades
Cleuton estava preso desde 2017 na Penitenciária de Segurança Máxima II de Viana, no Espírito Santo. No entanto, investigações apontaram que ele continuava exercendo influência direta sobre atividades criminosas fora da unidade prisional.
Segundo as apurações, o detento mantinha papel central na coordenação de ações ilícitas, evidenciando a necessidade de sua transferência para um ambiente com maior rigor de segurança e isolamento.
Operação Telic e atuação da facção
As investigações da Operação Telic identificaram Cleuton como uma das principais lideranças do Primeiro Comando de Vitória, organização criminosa com forte atuação na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
O grupo é investigado por crimes como tráfico de drogas e armas, homicídios, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos. As autoridades apontam que a facção opera com estrutura organizada, divisão de funções e forte controle territorial.
Estratégias para manter o comando
Mesmo encarcerado, o líder criminoso teria continuado a emitir ordens a integrantes da organização. As comunicações ocorriam por meio de recados transmitidos durante visitas, intermediários e outras estratégias para manter contato com membros fora do sistema prisional.
As investigações também indicaram o uso de redes sociais para a divulgação de ações criminosas e o recrutamento de novos integrantes, ampliando a influência da facção na região.
Medida excepcional do sistema federal
A transferência foi solicitada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que apontou a continuidade da atuação criminosa do preso mesmo dentro do sistema estadual. O pedido foi acolhido pela Justiça como medida emergencial e cautelar.
O sistema penitenciário federal é destinado a criminosos de alta periculosidade e lideranças de organizações criminosas, com o objetivo de interromper a comunicação externa e reduzir o poder de comando dessas estruturas.
Cleuton Gomes Pereira possui condenações que somam mais de 70 anos de reclusão e ainda responde a outras ações penais.
Permanência no sistema de segurança máxima
De acordo com a legislação, a permanência no sistema federal pode chegar a três anos, com possibilidade de renovação por igual período, conforme decisão judicial fundamentada.
A medida visa enfraquecer o crime organizado e impedir que líderes continuem operando mesmo após a prisão, garantindo maior eficácia ao combate às facções.
Mais do que uma transferência prisional, a ação simboliza a firme resposta do Estado diante do avanço da criminalidade organizada. Em tempos de desafios à segurança pública, cada decisão representa um passo em direção à justiça e à esperança de uma sociedade mais segura, onde a lei prevaleça sobre o medo e a violência.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













