Operação cumpre mandados no Rio e em São Paulo, busca aprofundar investigações sobre supostas fraudes contábeis e pede bloqueio de cerca de R$ 54 bilhões.
Mais de três anos após a revelação de um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil, a investigação sobre o rombo bilionário da Americanas ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (25). A Polícia Federal deflagrou mais uma fase da operação que apura possíveis responsabilidades pelas fraudes contábeis que levaram a varejista a uma grave crise financeira, impactando investidores, credores, funcionários e o mercado brasileiro.
A nova ofensiva demonstra que o caso ainda está longe de ser encerrado. As autoridades buscam esclarecer quem tinha conhecimento das irregularidades e qual teria sido o papel dos investigados em um esquema que provocou perdas bilionárias e abalou a confiança no ambiente corporativo nacional.
Mandados são cumpridos no Rio e em São Paulo
De acordo com informações obtidas pela CNN, a Polícia Federal cumpre nove mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, foi solicitado o bloqueio de aproximadamente R$ 54 bilhões em recursos relacionados aos investigados.
A operação é um desdobramento das investigações iniciadas em 2024 e foi autorizada pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Entre os alvos das medidas estão o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho do bilionário Jorge Lemann, um dos nomes mais conhecidos do empresariado brasileiro.
Entenda o caso que abalou o mercado
A Americanas entrou em recuperação judicial após a descoberta de inconsistências contábeis que inicialmente foram estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. O episódio provocou uma das maiores crises empresariais do país e desencadeou investigações conduzidas por diversos órgãos, além de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional.
Desde então, autoridades buscam identificar como as irregularidades foram praticadas, quem participou das decisões e quais mecanismos permitiram que os problemas permanecessem ocultos por anos.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes relacionadas a operações conhecidas como risco sacado e também a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), que teriam sido contabilizados sem respaldo econômico adequado.
Crimes investigados
As apurações apontam indícios da prática, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
Os investigadores trabalham para esclarecer se informações contábeis teriam sido deliberadamente distorcidas para apresentar uma situação financeira diferente da realidade da companhia, influenciando investidores, instituições financeiras e o próprio mercado.
O objetivo desta nova fase é reunir elementos adicionais que possam ajudar a reconstruir a cadeia de decisões e identificar eventuais responsabilidades individuais.
Americanas afirma que não foi alvo da operação
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, a Americanas afirmou que não é alvo da Operação Disclosure e ressaltou que sua sede e seus escritórios não foram objeto das buscas realizadas pela Polícia Federal.
A companhia destacou que a ação está relacionada às fraudes reveladas em 2023 e reforçou que continuará colaborando com as autoridades.
“A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, informou a empresa.
Até o momento, os demais investigados citados na operação não haviam se manifestado publicamente sobre as medidas adotadas pela Polícia Federal.
Um caso que ainda repercute no mundo corporativo
A nova fase da investigação reforça a dimensão de um escândalo que marcou o mercado financeiro brasileiro e levantou questionamentos sobre governança corporativa, transparência e mecanismos de fiscalização. Mais do que números bilionários, o caso envolve a confiança de investidores, trabalhadores e consumidores que acompanharam o colapso de uma das maiores redes varejistas do país. Enquanto as investigações avançam, permanece a expectativa de que todas as responsabilidades sejam esclarecidas e que episódios semelhantes encontrem barreiras mais sólidas para não se repetir no futuro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













