Primeira pesquisa após o primeiro turno mostra senador com 53% contra 47% do presidente; levantamento ouviu 3 mil eleitores entre 5 e 7 de outubro.
A corrida pela Presidência da República ganhou uma nova fotografia poucos dias depois de um primeiro turno marcado pelo equilíbrio e por uma diferença de menos de dois pontos percentuais entre os dois candidatos mais votados. Na primeira pesquisa realizada após a definição do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 53% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 47%.
O levantamento PoderData/Aya, divulgado nesta quinta-feira (8), mostra uma diferença de seis pontos percentuais entre os candidatos. A distância é superior à margem de erro da pesquisa, que é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os números, porém, representam o momento em que as entrevistas foram realizadas e não constituem previsão do resultado das urnas.
Primeira pesquisa após a definição do segundo turno
O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 7 de outubro, imediatamente após o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Foram entrevistados 3.000 eleitores por telefone, em 705 municípios das 27 unidades da Federação.
Na pesquisa anterior do PoderData, realizada antes da votação, Lula e Flávio apareciam tecnicamente empatados. Em uma semana, segundo o instituto, Flávio avançou três pontos percentuais, enquanto Lula recuou três pontos. Com isso, a diferença entre os dois passou de um cenário de empate para seis pontos nos votos válidos.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08134/2026 e foi realizada com recursos próprios do PoderData, em parceria de divulgação com o Aya Bancah.
O que os votos válidos mostram
Os 53% atribuídos a Flávio e os 47% de Lula correspondem aos votos válidos, cálculo utilizado oficialmente para definir o resultado das eleições. Nesse formato, são retirados da conta os votos brancos, nulos e as demais respostas que não representam escolha direta por um dos candidatos.
No cenário de votos totais, que considera também essas respostas, Flávio aparece com 49%, enquanto Lula registra 44%. Outros 5% declararam intenção de votar em branco ou nulo e 2% não souberam ou não quiseram responder.
A diferença entre o resultado do primeiro turno e a nova pesquisa também chama atenção. Nas urnas, Flávio terminou em primeiro lugar com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
Rejeição também muda no levantamento
Além da intenção de voto, a pesquisa mediu a rejeição aos dois candidatos. O percentual de eleitores que afirmam não votar “de jeito nenhum” em Flávio caiu de 46% para 43% em uma semana.
No caso de Lula, a rejeição passou de 47% para 46%, uma oscilação de um ponto percentual. Os números mostram que, além da disputa pela conquista de novos eleitores, os dois candidatos também enfrentam o desafio de reduzir a resistência existente em parte do eleitorado.
Outro dado levantado pelo PoderData diz respeito à expectativa de vitória. Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados acreditam que Flávio tem mais chances de vencer a eleição, enquanto 37% apontam Lula. Outros 9% não souberam responder. Esse indicador mede percepção do eleitor, e não intenção de voto.
Lula mantém vantagem entre as mulheres
Apesar da liderança de Flávio no resultado geral da pesquisa, o levantamento mostra diferenças importantes entre os segmentos do eleitorado.
Entre as mulheres, Lula registra 50% das intenções de voto, contra 42% de Flávio. O senador apresenta desempenho superior entre outros grupos, com destaque para o Centro-Oeste, onde chega a 54%, o Sudeste, com 51%, e o Sul, com 58%.
Flávio também aparece com 55% entre os eleitores que cursaram o ensino médio. Os recortes mostram que a disputa nacional é formada por diferentes comportamentos regionais e sociais, o que torna a composição do eleitorado um dos pontos centrais da segunda etapa da campanha.
O desafio de conquistar os votos que ficaram pelo caminho
O resultado do primeiro turno deixou milhões de votos fora da disputa direta entre os dois candidatos. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e os demais concorrentes somaram uma parcela importante do eleitorado que agora passa a ser disputada pelas duas campanhas.
Também há um contingente expressivo de eleitores que sequer compareceu às urnas. No primeiro turno, a abstenção ficou em torno de 21%, o equivalente a mais de 33 milhões de eleitores. O comparecimento e a mobilização desse grupo serão importantes para a segunda votação.
A própria pesquisa PoderData/Aya aponta que a abstenção e a migração de votos serão elementos relevantes nesta nova etapa. O primeiro turno já mostrou uma disputa extremamente concentrada, com Flávio e Lula somando juntos mais de 92% dos votos válidos.
Primeiro turno terminou com diferença de 1,87 ponto
Com a apuração concluída, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula teve 53.879.538 votos, ou 45,16%.
O resultado levou os dois candidatos ao segundo turno, marcado para 25 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que Flávio terminou a primeira etapa em primeiro lugar e Lula em segundo.
A diferença de menos de dois pontos percentuais entre os dois nomes mais votados mostra o tamanho da disputa que se inicia agora. A primeira pesquisa do segundo turno registra uma fotografia diferente daquela apresentada pelas urnas, mas ainda há duas semanas de campanha pela frente, além de milhões de eleitores que podem manter, mudar ou definir sua escolha.
A eleição entra, portanto, em uma fase em que cada voto passa a ter ainda mais peso. Entre números, alianças, rejeições e a busca pelos eleitores que ficaram fora da decisão no primeiro turno, Flávio Bolsonaro e Lula terão até 25 de outubro para apresentar suas propostas e tentar conquistar uma sociedade que chega à reta final dividida e diante de uma das disputas presidenciais mais acompanhadas dos últimos anos. A resposta definitiva, porém, continuará pertencendo ao eleitor e será dada nas urnas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Ricardo Stuckert/PR













