Presidente do PL afirma que ex-presidente definirá os rumos da candidatura de oposição, enquanto partidos do centrão discutem alternativas sem o sobrenome Bolsonaro.
O xadrez político que antecede as eleições de 2026 já começa a se desenhar e, segundo Valdemar Costa Neto, quem moverá a peça central da direita será Jair Bolsonaro. Em entrevista à CNN Brasil, o presidente nacional do PL afirmou que caberá exclusivamente ao ex-presidente definir os nomes que vão compor a chapa presidencial de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Disputa por protagonismo na direita
Nas últimas semanas, dirigentes de centro e direita têm se reunido para discutir o perfil ideal da candidatura que enfrentará Lula. Enquanto PP e PSD preferem uma chapa sem o sobrenome Bolsonaro, em busca de ampliar o diálogo com o eleitorado moderado, o PL insiste que um membro da família deve integrar a composição.
“Bolsonaro é quem decidirá o formato”, resumiu Valdemar, deixando claro que a palavra final permanece nas mãos do ex-presidente, mesmo em meio às incertezas jurídicas que o cercam.
Nomes em disputa
Hoje, o nome mais ventilado entre aliados é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem reiterado não ter intenção de disputar a Presidência. Caso o paulista mude de ideia, o PL defende que Michelle Bolsonaro (DF) ou Flávio Bolsonaro (RJ) componham a chapa, mantendo a ligação direta com o bolsonarismo.
Do outro lado, partidos de centro ensaiam lançar nomes próprios, como Ciro Nogueira (PP-PI), Tereza Cristina (PP-MS) ou Ratinho Júnior (PSD-PR), buscando construir uma candidatura mais “palatável” para além do núcleo conservador.
Decisão deve ficar para 2026
Nos bastidores, aliados de Tarcísio acreditam que Bolsonaro não tomará uma decisão ainda neste ano, preferindo esperar até junho de 2026, às vésperas da disputa presidencial. A estratégia, segundo interlocutores, seria evitar o desgaste precoce da candidatura, preservar o movimento pela anistia e maximizar o poder de transferência de votos do ex-presidente.
No tabuleiro eleitoral, o silêncio de Bolsonaro fala alto. A direita espera o seu sinal, enquanto os demais partidos ensaiam movimentos cautelosos, cientes de que, goste-se ou não dele, o ex-presidente ainda é a peça-chave da oposição no jogo político brasileiro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













