Postura de Davi Alcolumbre indica disposição ao diálogo e proposta ganha força em meio a tensões políticas entre Planalto e Congresso.
Em meio a um cenário político ainda marcado por ruídos recentes, surge uma pauta capaz de dialogar diretamente com a vida de milhões de brasileiros. O fim da escala de trabalho 6×1 começa a ganhar terreno no Congresso, e, desta vez, encontra menos resistência do que se imaginava no Senado.
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem sinalizado a interlocutores que está disposto a analisar a proposta de emenda à Constituição que trata do tema. A avaliação entre aliados é de que há abertura para o debate, especialmente após o avanço da matéria na Câmara dos Deputados.
Clima político e tentativa de reequilíbrio
A movimentação ocorre logo após episódios que desgastaram a relação entre o Senado e o Palácio do Planalto, como a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria.
Nos bastidores, no entanto, o tom adotado por Alcolumbre tem sido mais conciliador. O senador aguarda uma conversa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para encerrar o episódio envolvendo a indicação ao STF. Para ele, o assunto já estaria superado politicamente.
Aliados enxergam que houve uma espécie de “equilíbrio de forças” após os últimos embates. A rejeição de Messias e a falta de apoio do governo ao nome de Rodrigo Pacheco teriam funcionado como compensações dentro do jogo político, reduzindo o risco de agravamento da crise.
Governo dividido sobre reação
Dentro do governo, o momento ainda é de avaliação. Há quem defenda uma reação mais dura, com rompimentos e mudanças na base aliada. Por outro lado, uma ala mais cautelosa alerta para o risco de isolamento político e perda de apoio no Congresso.
Esse cuidado ganha ainda mais peso diante de articulações eleitorais em curso, que envolvem nomes como o senador Flávio Bolsonaro e possíveis rearranjos no campo político.
PEC avança e ganha apelo popular
Na Câmara dos Deputados, a proposta que prevê o fim da escala 6×1 segue em tramitação em uma comissão especial. O cronograma indica a apresentação de um relatório ainda em maio, com votação prevista na sequência.
A estratégia é acelerar o processo dentro do chamado “Mês do Trabalhador”, aproveitando o simbolismo da data e o forte apelo popular da medida. Integrantes do governo avaliam que dificilmente a proposta enfrentará grande resistência em ano eleitoral.
O presidente Lula tem reforçado o tema como uma das principais bandeiras, defendendo uma jornada de trabalho mais equilibrada. Em pronunciamento recente, destacou a necessidade de ouvir quem sustenta o país no dia a dia e de garantir mais tempo não apenas para descanso, mas também para a convivência familiar.
No meio de disputas, cálculos políticos e reaproximações estratégicas, a proposta avança carregando uma expectativa que vai além dos gabinetes. Para muitos trabalhadores, o debate sobre a escala 6×1 não é apenas técnico ou legislativo; é sobre qualidade de vida, dignidade e o direito de viver para além do trabalho.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













