Após rejeição inédita no Senado, governo tenta conter crise política e estuda nomear ex-AGU para o Ministério da Justiça.
A derrota no Senado ainda reverbera nos bastidores de Brasília e expõe mais do que um revés político. A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal acendeu um alerta no Palácio do Planalto, que agora corre contra o tempo para conter desgastes e redesenhar estratégias.
Nesta segunda-feira (4), fontes do governo confirmaram que uma espécie de “força-tarefa” foi acionada para administrar a crise. Nos corredores do poder, os chamados “bombeiros” entram em cena com uma missão delicada: reduzir os danos políticos e evitar que o episódio se transforme em uma fratura maior na relação entre Executivo e Congresso.
Uma possível saída para Messias
Entre as alternativas em discussão, uma ganha força nos bastidores: a indicação de Jorge Messias para comandar o Ministério da Justiça. A movimentação é vista como uma forma de reposicioná-lo dentro do governo e preservar sua relevância política após a derrota.
Atualmente, a pasta está sob comando de Wellington César, que assumiu o cargo em janeiro e ainda conduz o processo de estruturação da equipe. Uma eventual mudança, no entanto, não é tratada apenas como substituição, mas como parte de um cálculo político mais amplo.
Aliados avaliam que, à frente da Justiça, Messias poderia reconstruir pontes, especialmente com o próprio STF, reduzindo resistências e, quem sabe, pavimentando o caminho para uma futura indicação à Corte.
Crise também atinge relação com o Senado
Mas o desafio do governo não se limita à reorganização interna. Outro foco de tensão envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado por interlocutores do Planalto como um dos principais articuladores da rejeição.
A relação entre os dois Poderes, que já vinha sob pressão, agora exige cautela redobrada. Nos bastidores, a avaliação é de que qualquer movimento precipitado pode ampliar ainda mais o desgaste.
Reunião aumenta especulações em Brasília
O clima de incerteza ganhou novos contornos com a confirmação de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Wellington César, realizada no Palácio do Planalto. O encontro rapidamente virou alvo de especulações na Esplanada dos Ministérios e reforçou a percepção de que mudanças podem estar mais próximas do que parecem.
Em meio a articulações, cálculos e tentativas de recomposição, o episódio revela um governo que busca se reorganizar diante de uma derrota significativa. Mais do que redefinir cargos, o desafio agora é reconstruir confiança e estabilidade em um cenário onde cada movimento pode redesenhar o equilíbrio de forças em Brasília.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/O Globo













