Discussão ocorreu em pleno intervalo de sessão e foi presenciada por colegas; desentendimento envolve Lava Jato e absolvição de Bolsonaro.
Um clima tenso marcou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux protagonizaram uma dura discussão durante o intervalo de uma sessão plenária, na qual colegas presenciaram o embate. O motivo central foram divergências sobre julgamentos envolvendo a Lava Jato e decisões recentes sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Desentendimento sobre recurso de Moro
O embate começou após Fux criticar Gilmar por ter suspendido o julgamento de um recurso em que Sergio Moro tentava reverter a decisão que o tornou réu por calúnia contra Mendes. O recurso estava sendo analisado no plenário virtual da Primeira Turma do STF, com quatro votos favoráveis à rejeição do pedido de Moro, e agora ficará suspenso por até três meses.
Segundo relatos de fontes presentes, Gilmar Mendes sugeriu que Fux fizesse “terapia para se livrar da Lava Jato”. O decano afirmou ainda que falava mal de Fux publicamente, por considerá-lo “uma figura lamentável”, e não pelas costas.
Divergências históricas na Lava Jato
Durante o auge da Lava Jato, Mendes e Fux ocuparam posições opostas na Corte. Gilmar se consolidou como crítico da operação, enquanto Fux foi visto por integrantes da força-tarefa e pelo próprio Moro como o maior defensor da iniciativa no tribunal. A tensão entre os ministros reflete décadas de divergências sobre os métodos e impactos da investigação.
Absolvição de Bolsonaro intensifica conflito
O desentendimento também envolveu o julgamento da Primeira Turma do STF, do qual Gilmar não faz parte, que absolveu Jair Bolsonaro e condenou o tenente-coronel Mauro Cid, delator da trama golpista. Mendes criticou o voto de Fux, afirmando que o magistrado “impôs aos colegas um voto de 12 horas que não fazia o menor sentido”, gerando descontentamento entre os demais ministros. Fux, por sua vez, defendeu sua decisão e explicou que havia suspendido o julgamento do recurso de Moro para analisar melhor o caso.
Procurados, os ministros não comentaram o embate.
A cena expõe não apenas a tensão entre dois dos nomes mais influentes do STF, mas também as feridas abertas pelas decisões mais polêmicas envolvendo a Lava Jato e figuras políticas de destaque. É um lembrete de que, mesmo nos tribunais mais altos, divergências pessoais e jurídicas podem se chocar em momentos inesperados.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Fato Amazônico













