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STF impõe restrições a Jaques Wagner em investigação sobre suposta ligação com grupo do Banco Master

Decisão do ministro André Mendonça proíbe senador de atuar em favor de empresas e pessoas ligadas ao antigo Banco Master enquanto apurações seguem em andamento.

A nova fase da Operação Compliance Zero ganhou mais um desdobramento de grande impacto político nesta quinta-feira (18). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) se abstenha de manter interlocução ou atuar em benefício de empresas e pessoas ligadas ao antigo Banco Master enquanto as investigações continuam em curso.

A medida foi adotada no âmbito da operação que apura suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa envolvendo executivos, empresários e operadores ligados ao grupo investigado. A decisão aumenta a pressão sobre um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional.

PF aponta indícios de benefícios indevidos

Na decisão, André Mendonça autorizou mandados de busca e apreensão contra diversos investigados, entre pessoas físicas e jurídicas. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que uma estrutura financeira teria sido utilizada para beneficiar o senador por meio de repasses de recursos, aquisição de imóvel de alto padrão e outras vantagens econômicas.

Os investigadores afirmam ter identificado uma relação próxima entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como operador ligado ao antigo Banco Master.

De acordo com a apuração, os supostos benefícios teriam sido recebidos direta ou indiretamente por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas associadas ao núcleo familiar do parlamentar.

Três frentes estão no centro da investigação

As investigações conduzidas pela Polícia Federal concentram-se em três principais linhas de apuração:

• A suposta aquisição de um apartamento de luxo no empreendimento Poème Horto, em Salvador;

• Pagamentos destinados à BN Financeira Ltda., empresa associada ao entorno familiar do senador;

• A atuação parlamentar em pautas consideradas estratégicas para interesses relacionados ao Banco Master.

Segundo a decisão judicial, mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos indicariam que Jaques Wagner encaminhou a Augusto Ferreira Lima informações sobre uma unidade imobiliária avaliada em aproximadamente R$ 2,45 milhões.

Suspeita envolve aquisição de imóvel de alto padrão

A Polícia Federal sustenta que, após o compartilhamento das informações sobre o imóvel, operadores financeiros ligados ao grupo investigado teriam sido acionados para viabilizar a compra da unidade por meio de estruturas societárias interpostas.

Na avaliação dos investigadores, esse modelo de operação poderia indicar uma tentativa de ocultar o verdadeiro beneficiário da aquisição, hipótese que segue sendo apurada pelas autoridades.

As suspeitas fazem parte do conjunto de elementos analisados pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal durante o andamento da investigação.

Parte dos pedidos foi negada pelo STF

Embora tenha autorizado medidas contra diversos investigados, o ministro André Mendonça rejeitou pedidos de busca e apreensão contra Bonnie Toaldo Bonilha e Patrich Toaldo Bonilha.

Na decisão, o magistrado entendeu que os elementos apresentados pela Polícia Federal, até o momento, não demonstram participação relevante dos dois investigados nos fatos sob apuração.

Defesa ainda não se manifestou

A CNN informou que tentou contato com o senador Jaques Wagner para comentar a decisão e as acusações apresentadas no inquérito, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

A investigação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.

Em meio ao avanço das apurações, o caso ganha relevância não apenas pelo envolvimento de uma das principais lideranças políticas do país, mas também pelos questionamentos que levanta sobre a relação entre agentes públicos e grupos econômicos. Enquanto a Justiça busca esclarecer os fatos, a expectativa agora se concentra nos próximos passos da investigação e nos esclarecimentos que poderão surgir ao longo do processo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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