Enquanto Teerã adia resposta sobre proposta revisada, Donald Trump demonstra irritação pública e endurece discurso sobre acordo nuclear e fim da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã
O mundo inteiro voltou os olhos para Teerã nesta semana, enquanto o silêncio do Irã aumenta a tensão internacional e transforma cada hora de espera em um novo sinal de incerteza. Em meio a uma guerra que já deixou marcas profundas no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra cada vez menos paciência diante da demora iraniana em responder à proposta de paz que pode definir os próximos passos do conflito.
Nos bastidores, mediadores paquistaneses aguardam uma nova versão do acordo por parte do governo iraniano, após Trump rejeitar uma proposta anterior. A expectativa é de que a resposta chegue ainda nesta quarta – feira (29) ou, no máximo, até sexta-feira 01/05). Mas o atraso já levanta dúvidas sobre o real controle da situação dentro do regime iraniano e sobre o paradeiro do líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei.
Silêncio de Teerã aumenta desconfiança internacional
Segundo fontes ligadas às negociações, o adiamento da resposta iraniana estaria relacionado à dificuldade de acesso ao líder supremo, que não aparece publicamente há dias e, segundo autoridades ocidentais, estaria isolado em uma complexa rede de segurança.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, revelou ao próprio gabinete que recebeu do ministro das Relações Exteriores do Irã a promessa de uma resposta oficial, mas sem qualquer prazo definido.
A leve pressão pública de Islamabad chamou atenção justamente por acontecer logo após a Casa Branca deixar claro que a paciência de Washington está se esgotando.
Trump, que inicialmente demonstrava um tom mais cauteloso, agora endureceu o discurso e deixou claro que espera uma definição rápida.
“O Irã precisa ficar esperto logo”, afirmou o presidente americano, sinalizando frustração com a lentidão das tratativas.
Casa Branca teme isolamento de Khamenei
As dúvidas sobre a real capacidade de decisão dentro do governo iraniano aumentaram após declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que levantou questionamentos sobre o acesso de autoridades ao aiatolá Khamenei.
Segundo Rubio, não está claro se membros de alto escalão conseguem contato direto com o líder supremo, o que levanta a possibilidade de que ele esteja politicamente isolado ou até estrategicamente afastado por alas mais radicais do regime.
Essa hipótese preocupa Washington porque pode indicar não apenas dificuldades logísticas, mas também uma manobra deliberada de setores linha-dura para ganhar tempo e pressionar Trump.
Quanto mais o Irã demora, mais cresce a percepção de instabilidade e mais perguntas surgem sobre quem realmente está conduzindo o processo de decisão em Teerã.
Trump endurece tom e publica imagem provocativa
Nesta quarta-feira (29), Donald Trump elevou ainda mais a pressão ao publicar em sua rede social, Truth Social, uma montagem em que aparece segurando uma arma, com explosões ao fundo e a frase “Chega de ser bonzinho”, ao lado da bandeira dos Estados Unidos.

A publicação rapidamente repercutiu internacionalmente e foi interpretada como mais um recado direto ao governo iraniano.
No texto que acompanhava a imagem, Trump foi ainda mais incisivo.
“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor que se convençam logo! Presidente DJT”, escreveu.
A manifestação pública ocorre em meio ao impasse sobre o encerramento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além das discussões sobre o programa nuclear iraniano.
Proposta anterior foi rejeitada
A proposta inicial apresentada pelo Irã previa a reabertura do Estreito de Ormuz, um dos pontos mais estratégicos do comércio global de petróleo, deixando para negociações futuras as questões ligadas ao programa nuclear de Teerã.
Trump rejeitou essa possibilidade e sinalizou que não aceitará um acordo que adie decisões centrais sobre o enriquecimento de urânio e o controle internacional sobre o programa nuclear iraniano.
A posição americana indica que qualquer trégua dependerá diretamente de concessões mais profundas por parte de Teerã.
Enquanto isso, Israel acompanha com atenção cada movimento, já que qualquer avanço ou fracasso nas negociações pode redefinir o cenário militar da região.
No fim, o silêncio do Irã fala quase tão alto quanto as ameaças de Trump. Entre discursos duros, líderes escondidos e negociações cercadas de desconfiança, o mundo assiste a um jogo delicado onde cada palavra pesa e cada atraso pode custar vidas. Em tempos de guerra, às vezes não é o barulho das bombas que mais assusta, mas o silêncio de quem ainda não decidiu se quer a paz.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters e Getty Images













