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Trump sobe à tribuna da ONU após Lula e faz ameaças ao Irã em discurso marcado por tensão internacional

Presidente dos Estados Unidos fala depois de Lula, destaca ações de seu governo, ameaça o Irã e admite possibilidade de acordo após as eleições de meio de mandato.

Em um momento em que guerras, crises diplomáticas e tensões econômicas pressionam diferentes regiões do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocupou a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (23) para um discurso marcado por críticas, demonstrações de força e ameaças diretas ao Irã.

Trump falou logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, por tradição diplomática mantida desde 1955, abriu o debate geral da Assembleia Geral. O encontro ocorreu durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em uma edição marcada pela guerra no Oriente Médio, pelo conflito entre Rússia e Ucrânia e pelo agravamento das divisões entre as principais potências mundiais.

Trump destaca força dos Estados Unidos

Logo no início da fala, Trump concentrou parte do discurso em números da economia americana, feitos de seu governo e na força militar dos Estados Unidos. O presidente afirmou que, enquanto outros líderes teriam falado sobre problemas, sua administração teria adotado medidas concretas.

“Enquanto outros falavam, eu agi. Enquanto outros falaram de paz, eu fiz paz. Enquanto outros ignoraram ameaças, eu as confrontei”, declarou.

Trump também apresentou os Estados Unidos como a principal potência mundial e exaltou a atuação de seu governo em diferentes áreas.

A postura adotada pelo presidente ocorre em um momento de forte tensão internacional. Antes da Assembleia, a ONU já havia apontado o agravamento das divisões geopolíticas e das crises humanitárias, com Gaza e Ucrânia entre os principais conflitos em discussão. A questão nuclear iraniana também estava entre os temas mais sensíveis da agenda diplomática em Nova York.

Irã ocupa espaço central no discurso

Um dos momentos mais contundentes da fala ocorreu quando Trump passou a tratar diretamente do Irã. O presidente americano classificou o país como o principal patrocinador do terrorismo e afirmou que Teerã espalha violência pelo Oriente Médio.

Trump voltou a declarar que não permitirá que o Irã tenha uma arma nuclear e fez referências à atuação dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

Na sequência, adotou um tom ainda mais duro ao falar sobre o futuro das relações com o governo iraniano. Trump afirmou que possui uma decisão a tomar entre buscar um acordo que permita ao Irã reconstruir sua economia ou adotar uma ação militar capaz de eliminar a República Islâmica.

Apesar das ameaças, o presidente americano afirmou que acredita na possibilidade de um acordo com o Irã depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

O posicionamento ocorre em meio a uma escalada de pressão de Washington sobre Teerã. Na véspera do início da Assembleia Geral, os Estados Unidos impuseram novas restrições à circulação da delegação iraniana em Nova York, como parte da estratégia de “máxima pressão” adotada pelo governo Trump.

Guerra e diplomacia no centro da Assembleia

A presença de Trump na ONU ocorre em uma edição especialmente sensível para a diplomacia internacional. A guerra entre Israel e Hamas, o conflito entre Rússia e Ucrânia e as tensões relacionadas ao programa nuclear iraniano estão entre os principais assuntos que mobilizam os líderes reunidos em Nova York.

A situação no Oriente Médio ganhou ainda mais importância diante da possibilidade de novos confrontos e da pressão internacional por soluções diplomáticas. O governo americano vinha intensificando as medidas contra o Irã, enquanto Teerã buscava evitar o retorno de sanções do Conselho de Segurança da ONU previstas para o fim de setembro.

A questão palestina também ocupa espaço importante na Assembleia. Países como França, Reino Unido, Canadá, Austrália e Bélgica sinalizaram apoio ao reconhecimento de um Estado palestino, enquanto os Estados Unidos mantêm uma posição de forte apoio a Israel. O presidente palestino Mahmoud Abbas, impedido de viajar aos Estados Unidos, participaria da programação por vídeo.

Discurso ultrapassa limite previsto

Outro aspecto que chama atenção é a duração das falas. A ONU recomenda que os líderes mantenham seus discursos dentro de aproximadamente 15 minutos, embora o limite não seja obrigatório. Trump, no entanto, já havia ultrapassado amplamente essa marca em sua participação anterior.

Em 2025, o discurso do presidente americano durou cerca de 57 minutos, quase quatro vezes o tempo recomendado. O conteúdo percorreu diferentes temas de política externa e serviu também para apresentar ao público internacional uma defesa das ações de seu governo.

A tradição determina que o Brasil seja o primeiro país a falar no debate geral da Assembleia, seguido pelos Estados Unidos, que ocupam a posição de país-sede da ONU. A sequência explica por que Trump subiu à tribuna logo depois de Lula.

Um discurso que ultrapassa as fronteiras americanas

As declarações de Trump na ONU têm impacto que vai muito além da política interna dos Estados Unidos. Ao falar sobre Irã, petróleo, segurança internacional e possíveis conflitos militares, o presidente americano coloca no centro do debate decisões capazes de afetar mercados, relações diplomáticas e a estabilidade de diferentes regiões.

O momento também revela o tamanho do desafio enfrentado pela diplomacia internacional. Enquanto líderes buscam espaço para negociar em meio a guerras e disputas cada vez mais profundas, palavras ditas na principal tribuna multilateral do mundo podem produzir efeitos que ultrapassam fronteiras e chegam diretamente à vida de milhões de pessoas.

Em Nova York, entre discursos e alertas, a Assembleia Geral volta a lembrar que a distância entre uma declaração política e suas consequências pode ser menor do que parece. Em um mundo marcado por conflitos que já duram meses ou anos, a esperança de um acordo ainda divide espaço com ameaças de novas escaladas, deixando diante da comunidade internacional a difícil tarefa de transformar palavras em caminhos concretos para a paz.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/O Globo

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