Líder da oposição afirma trabalhar com EUA e países da América Latina e Europa para reconstrução do país.
Em meio a uma das fases mais tensas da política venezuelana, María Corina Machado, líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou que já existem planos detalhados e equipes preparadas para assumir o comando da Venezuela quando Nicolás Maduro deixar o poder. A declaração foi dada em Oslo, na Noruega, onde ela participa de uma série de encontros após a entrega do Nobel: prêmio recebido em seu nome pela filha.
Falando em tom firme, Corina disse que uma eventual transição não será improvisada. Segundo ela, há meses especialistas venezuelanos e estrangeiros trabalham lado a lado na construção de estratégias para as primeiras 100 horas e os primeiros 100 dias de um novo governo em um país devastado pela crise econômica, humanitária e institucional.
Planos estruturados para o “dia seguinte”
“Temos trabalhado arduamente não só com o governo dos Estados Unidos, mas também com outros governos da América Latina e da Europa, explicando detalhadamente como estamos preparados para as primeiras 100 horas e os próximos 100 dias”, afirmou. Corina reforçou que conta com profissionais “talentosos, experientes e honestos”, prontos para assumir desde o primeiro dia de uma eventual transição.
A mensagem é clara: a oposição quer mostrar que não apenas deseja o poder, mas tem um projeto pronto para ocupar o vácuo que surgirá com a saída de Maduro; caso ela se concretize.
“A Venezuela já foi invadida”, diz Corina
Questionada sobre a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos, especialmente após novas tensões entre Donald Trump e o regime venezuelano, Corina reagiu com contundência.
“A Venezuela já foi invadida”, disse. Segundo ela, agentes russos, iranianos, grupos ligados ao Hezbollah e ao Hamas, além de cartéis do narcotráfico colombiano, atuam dentro do país com a anuência do governo Maduro. “Controlam mais de 60% da nossa população. E não se trata apenas de tráfico de drogas, mas também de tráfico humano.”
Para Corina, a Venezuela se transformou no “antro do crime das Américas”, sustentado por um sistema de repressão “poderoso e bem financiado”. E enumerou as fontes desse financiamento: tráfico de drogas, mercado negro de petróleo, armas e pessoas. “Precisamos cortar esses fluxos. Quando isso acontecer e a repressão enfraquecer, acabou. Porque o que resta ao regime é apenas violência e terror”, completou.
A volta adiada e o peso do Nobel
Corina evitou dizer quando pretende retornar ao país, onde está proibida de circular livremente e vive praticamente escondida há quase um ano. Mesmo assim, emocionou seus apoiadores ao afirmar que o Nobel é do povo venezuelano e que o levará de volta “no momento oportuno”.
Em Oslo, ela fez sua primeira aparição pública em 11 meses. Na quarta-feira (10), sua filha recebeu o Nobel da Paz em seu nome, simbolizando a luta que atravessa gerações em busca de um país livre e democrático.
A presença de María Corina na Noruega, apesar dos riscos e das perseguições, reforça não apenas a projeção internacional da líder opositora, mas também a mensagem que ela tenta consolidar: a de que a Venezuela já tem um plano, uma equipe e uma esperança viva para o dia em que o regime de Maduro ruir.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Poder360













