Avaliação de políticos é que pressão aumenta após avanço da Operação Compliance Zero e mudança na relatoria no STF.
A nova prisão de Daniel Vorcaro não mexeu apenas com o mercado financeiro. Nos bastidores de Brasília, o movimento foi imediato: voltou à mesa a possibilidade de uma delação do banqueiro. A avaliação de políticos ouvidos pela CNN é de que a pressão sobre o dono do Banco Master aumentou consideravelmente, abrindo espaço para uma eventual colaboração com as investigações.
Minutos depois de a nova fase da Operação Compliance Zero ser deflagrada nesta quarta-feira (4), interlocutores de diferentes espectros políticos passaram a discutir o impacto que uma possível delação poderia provocar. O entendimento é de que, diante do novo cenário, Vorcaro pode rever estratégias.
Pressão ampliada e temor generalizado
A hipótese de uma colaboração premiada provoca apreensão em diversos campos políticos. Vorcaro, segundo relatos, mantinha interlocução e influência que transitavam pelo governo, pelo centro e pela direita. Uma eventual delação poderia, portanto, ter efeitos imprevisíveis.
Por isso, também circula a percepção de que há forças interessadas em evitar que o banqueiro coopere formalmente com as autoridades. A depender do conteúdo de uma possível colaboração, o alcance da investigação poderia extrapolar o ambiente financeiro e atingir diretamente o meio político.
Primeira prisão e tentativa de deixar o país
A tese de delação já havia ganhado força no fim do ano passado, durante a primeira prisão do empresário, quando ele chegou a tentar deixar o país. Naquele momento, a especulação tomou conta dos bastidores, mas perdeu intensidade à medida que o caso avançava sem atingir nomes relevantes da política.
Até agora, o impacto da investigação do caso Master sobre agentes públicos foi considerado tímido por interlocutores próximos ao processo.
Mudança no STF altera o cenário
O contexto atual, porém, é diferente. Além da nova prisão, há outro fator considerado decisivo: a troca na relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal.
O processo passou a ser conduzido pelo ministro André Mendonça, após o afastamento de Dias Toffoli, que deixou a relatoria em meio à repercussão sobre negócios de familiares com Vorcaro.
Nos bastidores, a leitura é de que a mudança de relator e o avanço das diligências alteram o cálculo político e jurídico do banqueiro.
Mais do que um desdobramento policial, o momento é visto como um divisor de águas. Em casos de grande repercussão, a decisão de falar ou silenciar costuma definir o rumo das investigações e, muitas vezes, reescrever trajetórias políticas. Enquanto a pressão cresce, Brasília observa em silêncio. Porque, se houver delação, o impacto pode ultrapassar o caso Master e atingir o coração do poder.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













