Camisotti foi transferido para sede da Polícia Federal em São Paulo para acelerar negociações em investigação bilionária.
O silêncio que por meses cercou um dos nomes centrais do escândalo do INSS começa a dar lugar a possíveis revelações. Preso desde setembro de 2025, o empresário Maurício Camisotti deu mais um passo decisivo ao prestar depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 24 de março de 2026, em meio às negociações para um acordo de delação premiada.
A expectativa em torno de suas declarações é alta. Apontado como peça-chave no núcleo financeiro das fraudes bilionárias envolvendo descontos associativos de aposentados e pensionistas, Camisotti pode ajudar a esclarecer o funcionamento de um esquema que atingiu diretamente beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social.
Transferência estratégica para acelerar acordo
Na segunda-feira, 23 de março de 2026, o empresário foi transferido da penitenciária de Guarulhos para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. A mudança foi acertada com a defesa e teve como objetivo facilitar o contato direto com investigadores.
Na carceragem da PF, Camisotti passa a ficar mais próximo dos delegados responsáveis pelo caso, o que tende a acelerar as tratativas da delação. Novos depoimentos já estão previstos, incluindo a entrega de documentos e a confirmação de datas, transações e possíveis envolvidos.
Ligação com o “careca do INSS”
Camisotti foi preso no mesmo dia que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, outro nome central na investigação e que permanece detido.
Na fase inicial da operação, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 2 milhões em bens, incluindo carros, motos de luxo, esculturas e obras de arte, evidenciando o alto volume financeiro movimentado pelo grupo investigado.
Família ganha protagonismo nas investigações
Nos bastidores da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, o foco das investigações passou a se ampliar. Parlamentares afirmam que a família Camisotti pode ter movimentado valores ainda maiores do que os atribuídos inicialmente ao “careca do INSS”.
O deputado Alfredo Gaspar, relator da comissão, destacou que o empresário Paulo Camisotti, filho de Maurício, seria peça central na estrutura do esquema.
Segundo ele, três entidades investigadas teriam repassado mais de R$ 800 milhões, sendo cerca de R$ 350 milhões direcionados a empresas ligadas à família.
Um caso que pode ganhar novos contornos
Até o momento, a defesa de Camisotti não comentou oficialmente as negociações. Ainda assim, nos bastidores, a expectativa é de que a delação possa abrir novas frentes de investigação e atingir outros nomes envolvidos no esquema.
No fim, mais do que um depoimento, o que está em jogo é a possibilidade de revelar como funcionava uma engrenagem que afetou diretamente milhares de brasileiros. Em casos assim, cada palavra dita pode ter peso de prova e cada silêncio, o tamanho de um segredo prestes a vir à tona.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Instagram













