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Nova data de posse vai mudar início dos mandatos de presidente e governadores; entenda o que muda

A partir das próximas eleições, presidente tomará posse em 5 de janeiro e governadores em 6 de janeiro; alteração busca facilitar cerimônias e ampliar participação popular e internacional

A posse presidencial sempre carregou um forte simbolismo: é o momento em que o voto se transforma oficialmente em poder. Mas, a partir das próximas eleições de outubro, essa tradição no Brasil passará por uma mudança histórica. O presidente da República deixará de tomar posse no dia 1º de janeiro e assumirá o cargo em 5 de janeiro. Já os governadores passarão a ser empossados em 6 de janeiro.

A alteração foi estabelecida pela Emenda Constitucional 111, aprovada em 2021, e tem como principal objetivo tornar o processo mais organizado, facilitar a presença do público, da imprensa e também de chefes de Estado estrangeiros, já que a antiga data coincidia com o feriado internacional de Ano Novo.

Mudança rompe tradição da Constituição de 1988

A posse em 1º de janeiro foi definida pela Constituição Federal de 1988, embora essa regra só tenha sido aplicada efetivamente a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Antes disso, o ex-presidente Fernando Collor tomou posse em 15 de março, seguindo a previsão da Constituição anterior, de 1948, conforme estabelecia o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), responsável por regulamentar a passagem para o novo texto constitucional.

Desde então, a data nunca foi unanimidade entre os políticos e já gerou diversas propostas de alteração.

Algumas defendiam a posse em 2 de janeiro, outras sugeriam 15 de novembro, data da Proclamação da República e prevista na primeira Constituição de 1889. Em 2011, o ex-presidente José Sarney, então senador pelo Amapá, também propôs a mudança para 10 de janeiro.

Mais tempo para organização e maior presença internacional

Na prática, a principal justificativa da mudança é oferecer melhores condições para a realização da cerimônia.

Segundo o professor de Direito Eleitoral da FGV/SP, Fernando Neisser, o novo calendário permite maior participação popular e melhora a logística institucional.

Além disso, ao separar a posse dos governadores da posse presidencial, aumenta-se a possibilidade de comparecimento de outras autoridades e chefes do Executivo.

“Desconectando as posses de presidente e governadores, permite que mais pessoas compareçam à posse do presidente eleito”, explica o especialista.

Outro ponto destacado é o fortalecimento da interlocução internacional, já que muitos líderes estrangeiros enfrentavam dificuldades para participar de uma cerimônia realizada em pleno feriado global.

Mandatos atuais ganham alguns dias a mais

Com a nova regra, os mandatos atuais serão estendidos em cinco ou seis dias, já que a transição para o novo calendário exige esse ajuste.

Segundo Neisser, isso não representa irregularidade, já que a mudança foi aprovada em 2021 e todos os candidatos que disputaram as eleições de 2022 já tinham conhecimento prévio dessa ampliação.

Ele também explica que a Constituição impede a ampliação ou redução de mandatos que já foram disputados sem previsão anterior, por isso os eleitos em 2018 não poderiam ser beneficiados pela alteração.

“O que temos agora é um olhar mais prático”, resume.

Cerimônia seguirá o mesmo protocolo oficial

Apesar da mudança de data, o ritual da posse continuará o mesmo.

As regras seguem previstas no Decreto nº 70.274, de 9 de março de 1972, especialmente no Capítulo II, que trata da posse do presidente da República.

O planejamento e execução da solenidade continuam sob responsabilidade do chefe do Cerimonial da Presidência, mantendo o protocolo tradicional que marca um dos momentos mais simbólicos da democracia brasileira.

Mais do que uma nova data, um novo simbolismo

A posse presidencial representa o encerramento de um ciclo e o início de outro. Alterar esse momento não é apenas mexer no calendário, mas também adaptar a democracia à realidade prática do país e do mundo.

No fim, a mudança mostra que até mesmo os rituais mais tradicionais precisam acompanhar o tempo. Porque governar começa no voto, mas também passa pela forma como o poder se apresenta diante da nação.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/CNN Brasil

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