Home / Nacional / Pastor Márcio Poncio é preso em operação da PF que investiga ligação entre crime organizado e agentes públicos no Rio

Pastor Márcio Poncio é preso em operação da PF que investiga ligação entre crime organizado e agentes públicos no Rio

Quinta fase da Operação Unha e Carne apura suposto esquema de vazamento de informações sigilosas e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Comando Vermelho.

A prisão do pastor Márcio Poncio durante uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (2) voltou a lançar luz sobre uma investigação que mistura suspeitas de crime organizado, vazamento de informações sigilosas e possíveis conexões com agentes políticos e figuras influentes do Rio de Janeiro. A nova fase da Operação Unha e Carne revela a complexidade de um esquema que, segundo as autoridades, pode ter ramificações em diferentes esferas de poder.

Márcio Poncio está entre os alvos da quinta fase da operação, conduzida pela Polícia Federal para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de repasse de informações confidenciais de ações policiais ao Comando Vermelho (CV). A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a aproximadamente R$ 22 milhões.

Investigação aponta possíveis vínculos políticos

De acordo com informações apuradas pela CNN, a investigação também alcançou o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que já se encontra preso, além do contraventor Adilsinho.

Outro nome incluído entre os alvos é Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Ao todo, a operação cumpre 14 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Em nota, a Polícia Federal informou que a nova fase da investigação busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro supostamente praticada pelo que classificou como o “capo” da nova cúpula do jogo do bicho, além de investigar possíveis ramificações do esquema envolvendo integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

Documentos apreendidos ampliaram as investigações

Segundo as investigações, esta quinta fase da Operação Unha e Carne teve origem após a análise de documentos e listas apreendidos em etapas anteriores. O material conteria registros que relacionam autoridades públicas a integrantes do crime organizado, incluindo supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras associadas à lavagem de dinheiro.

De acordo com os investigadores, o conteúdo chamou atenção especialmente por apontar possíveis repasses diretos a agentes políticos do estado. A Polícia Federal prossegue com a análise dos documentos, rastreamento do fluxo financeiro e identificação de beneficiários, intermediários e operadores do suposto esquema.

Defesas negam irregularidades

A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, negou qualquer irregularidade. Em nota enviada à imprensa, os advogados afirmaram rejeitar as acusações de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos.

Já a defesa de Rodrigo Bacellar informou que, por enquanto, não irá se manifestar sobre a operação.

A advogada Patrícia Proetti, responsável pela defesa de Marco Antônio Cabral, declarou que seu cliente “nega, de forma categórica, qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita”.

À medida que as investigações avançam, o caso amplia o debate sobre a infiltração do crime organizado em estruturas de poder e reforça a preocupação das autoridades com a atuação de redes criminosas que, segundo as apurações, podem ultrapassar as fronteiras tradicionais da criminalidade e alcançar setores estratégicos da administração pública e da política brasileira.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Folha PE

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *