Proposta segue parada no Senado, e o Planalto já trabalha com a possibilidade de transformar a pauta em uma das principais bandeiras da campanha eleitoral.
A expectativa de milhões de trabalhadores que acompanham a proposta de mudança na jornada de trabalho pode ter que esperar mais um pouco. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que a PEC que prevê o fim da escala 6×1 tem poucas chances de ser aprovada pelo Congresso Nacional antes das eleições, apesar de o governo afirmar que continuará empenhado para tentar avançar com a medida.
Atualmente, a proposta está parada no Senado e enfrenta um cenário de incerteza. Embora o governo mantenha o discurso de que a matéria é prioridade, ainda não há um cronograma definido para a votação, o que reduz as expectativas de conclusão da tramitação nas próximas semanas.
Governo tenta destravar a proposta
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará defendendo a PEC em discursos e manifestações públicas, tratando o tema como uma das principais prioridades da gestão.
A missão de tentar destravar a proposta ficou sob responsabilidade da líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), que busca viabilizar ao menos o início da análise do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho.
Senado ainda não definiu cronograma
Um dos fatores que preocupa o Planalto é a falta de uma sinalização clara por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Embora tenha indicado que pretende discutir alterações no texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o senador ainda não definiu um prazo para que a proposta avance.
Entre as mudanças cogitadas está o fim da regra de transição prevista na PEC, medida que, segundo integrantes do governo, encontra boa receptividade dentro do Executivo.
Outro gesto aguardado é a escolha de um relator para a proposta. Para o Planalto, a indicação de um nome seria um indicativo de que a tramitação continuará após o período eleitoral.
Estratégia pode migrar para a campanha
Caso a proposta não seja votada antes das eleições, auxiliares do presidente já trabalham com um plano alternativo. A intenção é transformar a defesa do fim da escala 6×1 em uma das principais bandeiras da campanha eleitoral, sustentando que o governo cumpriu seu papel ao encaminhar a PEC e garantir sua aprovação na Câmara, mas encontrou resistência para concluir a votação no Senado.
O cenário também é influenciado pelo calendário legislativo. O Congresso terá apenas mais duas semanas de atividades antes do recesso parlamentar e, durante o período eleitoral, Câmara e Senado deverão funcionar em regime de esforço concentrado, com sessões presenciais limitadas, reduzindo o espaço para votações de temas considerados mais sensíveis.
Enquanto a discussão segue sem definição, trabalhadores, empregadores e parlamentares acompanham a tramitação de uma proposta que pode alterar significativamente as relações de trabalho no país. O futuro da PEC dependerá das decisões políticas tomadas nas próximas semanas e, caso não avance agora, o debate deverá ganhar ainda mais força durante o período eleitoral.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













